Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 31/10/2018

A obra “Capitães da areia”, do escritor modernista Jorge Amado, narra a história de um grupo de crianças abandonadas por suas famílias, que acabam por viver nas ruas e manter-se por meio de pequenos delitos. De maneira análoga, observa-se que a luta pela sobrevivência nas ruas é uma realidade no mundo contemporâneo. Nesse sentido, destacam-se como principais razões desse conflito as falhas do sistema econômico vigente e a invisibilidade social sob a qual vive a população marginalizada do país.

Em primeiro lugar, é notório que a crise econômica acentua a existência de pessoas em situação de rua no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6 milhões de brasileiros encontram-se fora do mercado de trabalho. Por sua vez, o desemprego dificulta o pagamento de aluguel e o suprimento de necessidades básicas, como saúde e alimentação, fazendo com que famílias inteiras migrem para as ruas. Nesse sentido, é necessário investir em políticas públicas voltadas à geração de empregos, sobretudo à contratação de pessoas menos favorecidas economicamente.

Outrossim, percebe-se que a sociedade tende a tratar as pessoas em situação de rua com ideais de inferioridade e até mesmo desumanização. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, as relações no mundo moderno se tornaram individualizadas, levando à desvalorização do bem-comum e da solidariedade. Devido aos rótulos negativos impostos pela sociedade, os indivíduos que vivem nas ruas dificilmente recebem assistência, tampouco a oferta de melhores oportunidades de vida, criando barreiras para a reinserção social. Sendo assim, é preciso elaborar projetos que auxiliem esse público em todos os setores sociais e criar campanhas de mobilização.

Diante dos fatos mencionados, constata-se a necessidade de propor medidas direcionadas à qualidade de vida das pessoas em situação de rua no país. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento Social deverá investir em um conjunto de políticas voltadas ao bem-estar dessa população, por meio de serviços socioassistenciais, acesso à escola e à rede de saúde, oportunidades de trabalho e orientação jurídica, além de ampliar as unidades específicas de acolhimento, a fim de que recebam todo o suporte necessário para o processo de ressocialização. Dessa forma, será possível que a realidade das pessoas em situação de rua torne-se menos insatisfatória e que o individualismo passe a residir somente nas obras escritas de Zygmunt Bauman.