Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/10/2018

Immanuel Kant relatou que durante um período de sua vida esteve preso em um “sono dogmático”, vivendo cegamente aos acontecimentos do mundo. Analogamente, no limiar do século XXI, a sociedade brasileira encontra-se nessa mesma obscuridade ignorante, quando se diz respeito às pessoas em situação de rua. Elas estão à margem da sociedade e, com a falta de estrutura das cidades e o desinteresse governamental, a situação delas tende a piorar cada dia mais.

Desde o século XVII, algumas cidades receberam maior atenção, tornando-se, posteriormente, grandes metrópoles nacionais. Ademais, o fator industrial influenciou a migração de inúmeras pessoas residentes de áreas interioranas, que estavam em busca de uma vida melhor. Entretanto, as grandes cidades não estavam aptas a receber a tamanha quantidade de indivíduos, o que gerou como consequência a segregação socioespacial urbana. Por fim, aqueles que não conseguiram se estabelecer e nem retornar à sua terra natal, tiveram como saída morar em meio público, ocasionando, segundo o jornal Globo, a formação de um grupo de aproximadamente 101 mil pessoas desabrigadas.

Outrossim, os indivíduos e o governo pouca facilitam a inserção desse grupo na sociedade. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a população é o produto de uma cultura criada pelo próprio homem, ou seja, o ideal inicial de simplesmente ignorar os moradores de rua tornou-se um hábito cada vez mais comum e, não obstante, o próprio governo está a seguir essa ética individualista. Está presente na Declaração dos Direitos Humanos que todo indivíduo deve possuir uma moradia, todavia, esse direito é negligenciado, visto que os poucos albergues disponibilizados aos moradores de rua apresentam um alto índice de rejeição, pelo fato de haver pouca comodidade e ser proibida a entrada de animais de estimação. À vista disso, muitos ainda escolhem permanecer nas ruas, totalmente vulneráveis ao preconceito, à violência e a inúmeras doenças contagiosas.

Portanto, é possível notar a suma importância de encontrar medidas para resolver essa problemática. Em primeiro lugar, o Ministério do Trabalho, em parceria com a Secretária Nacional da Assistência Social, criará o projeto “Uma Cama Quente”, onde serão fornecidas moradias com maior conforto e espaço próprio para os animais das pessoas em situação de rua. Concomitantemente a isso, serão disponibilizados trabalhos e cursos profissionalizantes a esses moradores, a fim de que adentrem ao mercado de trabalho com maior facilidade. Desse modo, por fim, a sociedade acordará desse “sono dogmático” e os indivíduos que residem ao ar livre terão uma nova chance de prosperar.