Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 23/10/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para população de rua que, diante da invisibilidade social e de violências – físicas e morais – sofridas, vivem, não necessariamente bem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da base educacional e da falta de empatia da pós-modernidade.
Deve-se pontuar, de início, que a falha educacional atua como um complexo dificultador. Isso, conforme o pensamento de Immanuel Kant, filósofo prussiano, o indivíduo é fruto da educação. Sob essa ótica, é indubitável que a situação da população de rua brasileira, muitas vezes, tem raízes intrínsecas em uma formação educacional deficitária que tais tiverem anteriormente. Em decorrência disso, esses indivíduos enfrentam impasses para permanecer no mercado de trabalho, o que, consequentemente, pode leva-los a enfrentar dificuldades financeiras e, posteriormente, irem para as ruas. Dessa forma, a escola contribui para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por pessoas que vivem nas ruas.
Outro fator relevante, nessa temática, é a fluidez dos tempos pós-modernos. Na obra ‘’Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defende que os tempos modernos são caracterizados pelo individualismo e pelo egocentrismo. Tal afirmação pode ser enxergada na sociedade brasileira, no que tange à questão da população de rua. Em consequência dessa falta de empatia, tal grupo enfrenta cada vez mais a marginalização por parte da sociedade.
Torna-se imperativo, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolveram “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de marginalização da população de rua. Talvez, assim, seja possível construir um país de que Platão pudesse se orgulhar.