Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 30/10/2018
Em seu famoso poema “O Bicho”, o poeta Manuel Bandeira descreve com clareza e precisão uma situação que permanece diariamente nas cidades de todo o Brasil: Pessoas em situação de rua vivendo como verdadeiros “bichos”, privadas de necessidades básicas, enfrentando a fome, o frio e o desemparo do Estado. Nessa perspectiva, a questão dos moradores de rua como um problema social é um desafio que deve ser superado de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
De acordo com o IBGE, aproximadamente 14% dos brasileiros estão desempregados. Um número significativo, uma vez que representa cerca de 13 milhões de pessoas. Deste modo, diante da atual situação de crise econômica, política e social que o país enfrenta, o desemprego mostra-se como um fator que propicia a utilização das ruas como moradia, uma vez que essas pessoas não dispõem de renda suficiente para conseguir moradias adequadas. Além disso, são tratadas como invisíveis pela sociedade e carecem do apoio do Estado, ficando à mercê da violência e de condições precárias nas ruas.
Como resultado desse cenário, a sociedade passa a ver essas pessoas como indivíduos inferiores, causadores dos seus problemas e responsáveis pela própria situação, construindo, então, um preconceito social que contribui para a invisibilidade dessas pessoas perante ao corpo social. Para mais, outra consequência desse contexto é a privação de direitos básicos como alimentação, moradia e segurança, conforme está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos e que, lamentavelmente, não contempla os moradores de rua.
Infere-se, portanto, que para o desafio da questão social dos moradores de rua no Brasil ser superado, é necessário a atuação do Ministério Público, do Ministério do Trabalho e da sociedade através de campanhas de doações, obras que gerem mais empregos e uma conscientização social, com o intuito de prestar auxílio à essas pessoas, combater o desemprego e torná-las visíveis para a sociedade, mas não como “bichos”, e sim como pessoas de direito