Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/10/2018

O romance “Capitães da Areia”, do escritor Jorge Amado, narra a história de crianças que moram nas ruas de Salvador na década de 30, expondo a vida insalubre e miserável da realidade vivenciada. Já no século XXI, é evidente que os moradores de rua ainda são um problema social para a sociedade brasileira, fruto da enorme desigualdade que circunda o país. Desse modo, cabe analisar a insuficiência do Estado sobre essa problemática e a negligência dos cidadãos sobre os menos favorecidos e, também, apresentar possíveis soluções para esse impasse.

Vale apontar, a princípio, que o Estado não dá a devida importância para a situação dos moradores de rua, visto que nota-se empiricamente, principalmente nas grandes capitais, a progressão do número de indivíduos em tais condições. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Nessa óptica, percebe-se o rompimento do governo com suas obrigações sociais, em que se descumpre os princípios da Constituição de 1988, que assegura aos cidadãos o direito à propriedade privada e a igualdade. Logo, a ineficácia da execução das leis provoca a marginalização da população em situação de rua.

Além disso, é importante ressaltar sobre o egoísmo presente na sociedade brasileira, em que muitos dos indivíduos negligenciam a presença dos desprovidos de moradia. A falta de empatia em relação à essa minoria é perceptível, o que torna o processo de segregação e exclusão social mais intenso entre os cidadãos.“Modernidade líquida” foi o conceito criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando a individualidade. De maneira análoga ao pensamento supracitado, a sociedade vigente ignora as necessidades básicas dos moradores de rua — como alimentação — e deixam de exercer sua ética, fazendo com que o ajudar ao próximo se torne inexistente em suas filosofias de vida.

Torna-se evidente, portanto, que os moradores de rua necessitam de um maior amparo para uma vivência harmônica. A fim de minimizar tal problemática, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar abrigos com psicólogos e dormitórios, para que haja a proteção dessa minoria e a reinserção dos mesmos na sociedade, reparando as condições físicas e psicológicas para  ingressarem em escolas e, posteriormente, no mercado de trabalho. Ademais, campanhas publicitárias devem ser veiculadas pela TV e redes sociais, por meio de produções emotivas que sensibilizem o público, em prol da promoção da empatia e a transformação de tempos líquidos em sólidos, antagônico ao conceito de Bauman.