Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 28/10/2018

No livro “Capitães da Areia”, do autor Jorge Amado, é retratado a história de um grupo de meninos abandonados e moradores de rua que dependem de roubos para sobreviver. De maneira análoga, no século XXI, a situação dos moradores de rua no Brasil regride à medida que a ação do Estado se torna ausente e o preconceito acerca das minorias sociais enraizado na sociedade aumenta.

Primeiramente, é indubitável que os moradores vivem em situações precárias nas ruas e não possuem acesso aos direitos básicos do cidadão garantidos pela Constituição, como moradia, educação e alimentação. Segundo o filósofo Montesquieu, “a injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos”, destarte, é tácito que assim como o grupo de menores do livro supracitado, alguns moradores de rua furtam para sobreviver. Outrossim, com a crise econômica que assola o país hodiernamente, o desemprego e a especulação imobiliária tornam o custo de uma habitação muito cara, o que acarreta no despejo e na falta de moradia para muitas pessoas. Não obstante, a maioria dos centros urbanos brasileiros não obtiveram um planejamento urbano, o que consequentemente gera um processo de concentração de serviços, a partir disso, muitos trabalhadores —principalmente os que moram em periferias —, necessitam morar na rua para evitar o alto custo de deslocamento e assim manter sua subsistência.

Ademais, a sociedade possui um estigma social, isto é, subvalorizam os moradores de rua a partir da incapacidade de aceitação em concomitância com o estereótipo preestabelecido de medíocre e invisível, o que estimula a exclusão social dos mesmos. Ainda assim, além da estratificação sofrida,  a intolerância gera violência, partindo da premissa de que para os criminosos, de maioria classe média e com boas condições, eles estão limpando as ruas e fazendo um bem para a sociedade. Contudo, cabe salientar que além da discriminação sofrida por esse grupo, outros preconceitos contra as minorias sociais também contribuem pra agravar tal questão social, haja vista que conflitos familiares motivados por homofobia e machismo, levam algumas pessoas a buscar a rua como lugar de fuga.

À vista disso, para que os moradores de rua tenham seus direitos assegurados, o Estado, em conjunto com a Secretaria de habitação, devem promover programas habitacionais e investir na reforma de prédios e habitações obsoletas para abrigar tais moradores. Em consonância, nas escolas devem ser incentivados ações comunitárias e trabalhos em grupo a fim de unir os alunos em prol de um bem comum e desta forma impulsionar o respeito e aceitação das diferenças para reduzir os preconceitos.  Deste modo, a sociedade não tratará os moradores de rua com desdém e o Estado terá mais atuação nessa questão social.