Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 30/10/2018
Segundo o filósofo Jean Paul Sartre, “somos integralmente responsáveis pelo nosso passado presente e futuro”, dessa forma cabe ao homem lutar por um país menos desigual e com mais oportunidades. Tomando essa provocação como ponto de partida para a discussão da questão dos moradores de rua no Brasil, é preciso entender como a crescente ocupação do solo urbano tem relação com a lógica do capitalismo e especulação a propriedade privada, além de entender as condições que levam o indivíduo à permanecer vivendo nas ruas.
Em primeiro aspecto, segundo a visão do filósofo Jean Jacques Rousseau, a propriedade privada é a origem das desigualdades sociais. De fato, o desenvolvimento capitalista, marcado também na visão marxista como responsável pela divisão de classes, tem ligação histórica com o acúmulo de renda e segregação social. Nesse sentido, o crescente número de pessoas vivendo nas ruas é consequência dos elevados preços dos imóveis e alugueis, devido a grande especulação imobiliária, principalmente nos centros urbanos, além da elevada taxa de desemprego conjuntural e por falta de qualificação. Nesse sentido, é notório que o Estado não tem cumprido seu papel social de fornecer condições básicas para o indivíduo se estabelecer socialmente, sendo que a moradia digna é essencial para isso.
Outrossim, a população que vive na rua vem se tornando cada vez mais invisível aos olhos da sociedade, que tampouco se importa com as condições de extrema pobreza que vivem essas pessoas. Dessa forma, a metáfora da liquidez proposta por Baumam sobre a sociedade moderna cabe nesse contexto, uma vez que, devido as frágeis relações humanas e o crescente individualismo social, as pessoas tem se importado cada vez menos com os problemas fora do seu ambiente de convívio. Dessa forma é preciso entender que todo esse descaso, tanto por parte do governo, quando pela população, tem contribuído para o aumento do número de pessoas vivendo em condições desumanas nas ruas, o que faz aumentar ainda mais a pobreza e a desigualdade no país.
Por fim, tendo em vista os aspectos analisados é preciso encontrar medidas que solucionem esse grande problema social. Dessa forma, como primeira medida, é preciso que o governo estabeleça parcerias com empresas do setor imobiliário, a fim de disponibilizar imóveis para construir casas de abrigo e retirar as pessoas da rua. Com isso, é preciso que os estados e municípios estejam engajados nesse projeto juntamente com o governo. Como segunda meta, é preciso disponibilizar vagas de emprego para inserir essas pessoas no mercado de trabalho. Com isso, o governo pode investir empresas de reciclagem, oferecendo uma fonte de renda para promover o desenvolvimento social e ainda a sustentabilidade do meio ambiente.