Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 29/10/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, essa não é uma realidade para o grande número de moradores de rua existentes no Brasil. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, as lacunas do atual modelo pedagógico e a inoperância das politicas públicas existentes acabam contribuindo com esse quadro.

As lacunas do atual modelo pedagógico são as principais responsáveis pelo impasse. Isso porque as escolas brasileiras não tem um programa de aulas direcionado para formação social dos indivíduos, visto que se preocupam apenas em ensinar conteúdos que serão cobrados em provas. Sendo assim, a sociedade, por não ter aprendido a ter uma boa relação social e principalmente familiar, acaba dando espaço à liquidez dos laços atuais, citada pelo sociólogo Bauman, a qual cria uma barreira que impede que elas encontrem apoio de entes queridos quando mais precisam. Por consequência disso, sucumbem às drogas e ao álcool, uns dos principais motivos de tantos indivíduos em situação de rua no país.

Atrelada ao falho modelo pedagógico existente, a inoperância das políticas sociais agrava ainda mais a situação. Isso decorre da falta de investimento e incentivo do governo frente à elas, ou seja, existem boas intenções para reverter esse quadro, mas elas não são postas como prioridade no cenário político, principalmente, por não trazerem retorno financeiro, o que, de acordo com a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, denuncia a apatia de massa decorrente do capitalismo exacerbado, no qual o dinheiro toma o lugar do sentimento de coletividade. Consequentemente, os moradores de rua ficam desamparados e tornam-se cada vez mais invisíveis, sem voz e sem direitos.

Diante disso, torna-se evidente a necessidade de medidas capazes de aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada atualmente. Para tanto, é imprescindível que o MEC, em parceria com pedagogos, realize uma reforma curricular incluindo na grade de aulas a disciplina de cidadania e relações humanas em conjunto com palestras mensais de pais e filhos a fim de demonstrar a importância de construir laços familiares sólidos, evitando um desamparo futuro e a alternativa às ruas. Ademais, o poder público deve realizar parcerias com empresas privadas dotadas de profissionais capacitados para atender a esse público, como psicólogos e agentes de saúde, com o objetivo de ampará-los e ressocializá-los ao mesmo tempo em que movimenta-se a economia. Somente assim será possível que, um dia, o desejo de Platão se concretize.