Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 30/10/2018

A Revolução Industrial encerrou a transição entre o feudalismo e o capitalismo. Entretanto, nem todos os indivíduos conseguiram se adaptar a esta mudança brusca, sendo excluídos pela produção capitalista,e, por conseguinte, buscaram sua sobrevivência nas ruas.” Analisando esse cenário e relacionando-o à realidade dos moradores de rua no Brasil, percebe-se a necessidade de um olhar mais atento para o fenômeno da rualização, considerando que tal problemática trata-se de uma questão social a qual precisa discutida na perspectiva de tornar a sociedade mais crítica e reflexiva, que, por consequência, tende a ser mais justa, igualitária e humanizada.

Em primeira instância, é válido pontuar que a inoperância do poder público é a principal responsável pela atual situação de exclusão dos moradores de rua. Sob esse viés, verifica-se que a Política Nacional para População em Situação de Rua, implementada em 2008, na qual há uma série de determinações, como criação de alternativas de moradia, entre muitas outras; não é posta em prática. Prova disso são os dados do ultimo senso realizado, em 2015, na cidade de São Paulo, a maior do país, havia 15.905 moradores de rua . Pouco mais da metade deles (8.570 pessoas) estavam abrigadas, o equivalente a 54%. Destarte, enquanto o poder publico não cumprir com o seu dever constitucional, a nação canarinha será obrigada a conviver com esse entrave: a moradia negligenciada.

Outrossim, destaca-se o exacerbado individualismo presente na atual sociedade como propulsora dessa problemática. Isso acontece porque, na pós-modernidade, conforme defendeu o filósofo Zygmunt Bauman as relações afetivas se tornaram mais fluídas e descartáveis, por consequência disso, há uma escassez de empatia observada no comportamento da sociedade, sendo que os moradores de rua são tratados ora com compaixão, ora com repressão, preconceito, indiferença e violência. Desse modo, denota-se que que as concepções enraizadas de estigma se apresentam como um empecilho para a concretude de ações cidadãs propostas por Max Weber.

Diante dos fatos supracitados, observa-se a necessidade de uma intervenção a qual efetive os direitos dos moradores de rua. Urge que o poder público invista na construção de albergues ou moradias que atendam a demanda da população rualista, e elabore leis concretizáveis a fim de diminuir o índice de desabrigados. Além disso, o governo deve se encarregar do oferecimento de vagas de emprego assalariado para essa população a fim de atribuí-los melhores condições de vida. Ademais, a mídia pode aproveitar o seu alto alcance para disseminar propagandas de incentivo à empatia a fim de romper com a raiz do individualismo que há anos assola o Brasil. Dessa forma, o país sera mais justo.