Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 31/10/2018

O conto “O outro” de Rubem Fonseca, denuncia a desigualdade social e a indiferença com que um executivo trata um mendigo. Não diferente do conto, moradores de rua são tratados como animais e deixados à margem da sociedade, com mínimas chances de se reacender. Deve-se discutir o que leva as pessoas a tal situação e quais suas possíveis consequências.

Primeiramente, é necessário desconstruir a imagem deturpada associada aos mendigos. A visão de que são todos “drogados” e “vagabundos”, vivendo na rua porque querem, fortalece o sentimento de desprezo, dificultando que eles possam receber ajuda. De acordo com pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social, dentre os motivos que levam as pessoas a morarem na rua, 35% estão relacionados à drogas/alcoolismo e quase 30% ao desemprego, evidenciando que ocorre um descaso do governo no âmbito de garantia de direitos - além de moradia, refere-se ao emprego - e, assim, muitos que querem arrumar um trabalho não conseguem.

Deste modo, a falta de assistência colabora para a permanência nas ruas e, por conta disso, infelizmente, essas pessoas tornam-se alvos fáceis. Não raro, vê-se notícias de espancamento contra moradores de rua, havendo até casos em que são mortos queimados. Esses fatos mostram o quanto a sociedade é desumana ao lidar com esses cidadãos e torna terrivelmente verdadeiro, ainda depois de 60 anos, o poema " O Bicho", de Manuel Bandeira, que revela a animalização no modo de viverem e serem tratados.

Tendo em vista que a desigualdade social configura-se como a principal “ferida” da sociedade, torna-se claro que a maior responsabilidade em reverter essa situação é do Governo. Nota-se que, apesar de ter sido criada, a “Política Nacional para População em Situação de Rua” não foi implementada em todas as cidades, o que deve ser feito, a fim de evitar que pessoas permaneçam na rua, diminuindo o número dos que entram em contato com drogas. Além disso, deve-se financiar projetos e ONG’s existentes, para que ofereçam, com mais autonomia, abrigo, alimentação e acompanhamento com os que se encontram em dependência química. Oferecendo aos moradores de rua o que eles têm por direito, eles passariam a ter uma vida mais digna e, consequentemente, deixariam de ser alvos da sociedade.