Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 31/10/2018

Na semana de 1922, o Brasil iniciou um rompimento com a alienação clássica, a desmistificar o pensamento social sobre os reais problemas nacionais com destino a despir-nos dos preconceitos, valores enraizados na sociedade. Hodiernamente, ao se analisar os moradores de rua na população brasileira, nota-se longe de ser alcançado. Neste contexto, torna-se evidente a invisibilidade dessas pessoas assim como a fragilidade psicológica em optarem por estas condições.

A princípio, percebe-se a invisibilidade dos indivíduos perante a sociedade. Um decreto recorrente da cidade de São Paulo, por exemplo, determina que agentes públicos recolham papelões e colchões de desabrigados. Atos como esse corroboram a teoria da filosofá Hanna Arendt sobre a banalidade do mal em um corpo social cada vez mais massificado, falta de empatia e cuidado aos indivíduos.

Além disso, o vício é a principal causa do isolamento social desses sujeitos. Pesquisas indicam que cerca de 36% dos moradores de rua são dependentes de álcool ou outras drogas, o que agrava sua dificuldade de reinserção social e cria um ciclo vicioso. Ademais, a fragilidade dos vínculos familiares e o desemprego criam o perfeito retrato da modernidade líquida, termo cunhado pelo sociólogo polonês Zigmund Bauman.

Destarte, urge que o Ministério das Cidades incentive as prefeituras municipais na construção de novos albergues e na ampliação dos existentes. Tais abrigos devem ser mantidos em parcerias com ONGs, empresas privadas e entidades religiosas a suprir necessidades imediatas. Nessa conjuntura, o Ministério da Saúde deve oferecer tratamento psicológico e psiquiátrico aos desabrigados a conter o retorno as ruas e uma nova possibilidade de inseri-los na sociedade. Outrossim, a colaborar com o olhar dos modernistas " Nós não sabemos o que queremos; mas sabemos o que não queremos".