Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 01/11/2018
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura insuficîencia do Estado Brasileiro frente ao aumento do número de pessoas em pobreza extrema é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento que mira o bem-estar de sua sociedade. Com isso, surge a problemática da alta índice de moradores de rua que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela condenação moral da sociedade, seja pela lenta mudança de mentalidade social.
Cabe ressaltar, que o ser humano é um ser social, o que traz a tona a questão da exclusão como um problema considerável. Nesse âmbito, um exemplo notório reside na sociedade brasileira, no qual, em muitos lugares públicos, pessoas que utiliza-se das ruas como moradia, sofre ofensas, condenações morais, e são enxergados muitas das vezes como invisíveis ou como um fracasso social em uma mentalidade capitalista por não obter condições de moradia em uma propriedade privada, levando a tona o questionamento da saúde mental desse indivíduos. Conforme o pensador indiano Oshe, o medo da exclusão social é a principal causa para um indivíduo deixar de lado a sua própria identidade, o que pode gerar consequenciais como a depressão e o suicídio.
Outro fator, importante reside no fato de que as pessoas estão vivendo tempos de “modernidade líquida”, conceito proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual evidencia o imediatismo das relações sociais. Atualmente, pode-se notar que o fluxo de informações ocorre em grande velocidade, fenômeno que muitas vezes dificulta uma maior reflexão acerca dos dados recebidos, acostumando o ser a apenas utilizar o conhecimento prévio. Uma parcela da sociedade, então, quando apresentado a outras pessoas moradores de ruas, tem dificuldade em respeit-alas, uma vez que, sua formação pessoal baseou-se somente em uma esfera de vivência, como por exemplo associar a imagem desses indivíduos sem moradias como alguém não sociável ou como um potencial perigo pra população, o que pode comprometer o convívio social e o pensamento crítico.
Diante disso, urge que o Poder Público intensifique campanhas de conscientização social, por meio de mídias de grande alcance. É imperativo, também, que o Ministério das Cidades ampliar o programa de moradias populares, juntamente com o incentivo à criação de ONGs com o intuito de identificar e precaver casos de pessoas sem moradia. Em consonância, cabe ao Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Cultura estimular as escolas, museus e teatros a desenvolverem palestras que retratem tanto a importância da equidade como a dura realidade dos moradores de rua no Brasil.