Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 22/02/2019
Diógenes de Eleia foi um filósofo grego que era morador de rua. Segundo ele, o homem devia abrir mão do luxo e dos excessos matérias mundanas, optando por uma vida simples e tranquila. Por sua atitude inovadora, e um tanto drástica, ele ganhou fama em seu tempo, sendo respeitado pela população e até pelo imperador Alexandre, O grande. Diferentemente da época de Diógenes, na sociedade contemporânea, a condição dos moradores de rua é um grave problema social. O preconceito enfrentado por essas pessoas e a falta de programas de reintegração do governo, são empecilhos para que haja uma mudança nessa situação adversa.
O capitalismo moldou a sociedade para o consumo, sendo que, o ideal de produtividade e acumulação de capital são supervalorizados. Nesse contexto, chamado por Max Weber de desumanização, as pessoas são julgadas e qualificadas pelos seus bens materiais. Dessa forma, as que não possuem esses “requisitos”, como é o caso dos moradores de rua, são vítimas de preconceito, desprezadas pela população e em muitos casos vítimas de violência. Segundo dados do Centro Nacional de Defesa de Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Material Reciclável (CNDDH), apenas entre março e agosto de 2017 foram registradas 419 denúncias de violência e 69 assassinatos de pessoas em situação de rua no país.
Além disso, o descaso do governo com esse problema social só agrava esse cenário. A ausência de programas de sociais de reintegração impede que as pessoas em situação de rua possam sair dessa condição. Outrossim, é a falta de investimento em educação, que é a principal arma para erradicar o problema pela raiz. Uma pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que a falta de escolaridade e consequente dificuldade de se conseguir um emprego está relacionada a 30% dos casos de pessoas que hoje moram nas ruas.
Em virtude do exposto, é dever das mídias da comunicação, por meio de propagandas e debates, na televisão e internet, estimular o respeito aos moradores de rua, para que haja, assim, uma diminuição na violência e do preconceito com os mesmos. Somado a isso, é dever do governo investir em programas de reintegração social. Qualificar os moradores de rua para algum trabalho remunerado, disponibilizar moradias temporárias, contratar profissionais que possam dar aulas a essas pessoas, e claro investir em educação de qualidade, disponibilizando mais verbas para as escolas, são possíveis medidas para erradicar o problema.