Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 24/02/2019

Na obra “Capitães de areia”, de Jorge Amado,há o retrato de jovens que moravam no trabalho,sem os direitos fundamentais propostos pela Constituição 1988.Paralelo à ficção, as grandes metrópoles vivenciam essa realidade, na qual indivíduos estão espalhados pelas avenidas como produto da exclusão social.Trata-se do reflexo do descaso governamental e do olhar preconceituoso que torna essa parcela invisível perante as ações sociais.Assim para mitigar essa mazela cabe a união do Estado com as Ong’s.

Sob esse viés,cabe pontuar como a visão colonial está enraizada no cotidiano brasileiro.Nota-se que a diferença de classes descrita pelo sociólogo Gilberto Freyre, em “Casa Grande e Senzala” é seguida no século XXI,com os senhores que detém maior renda e os que são menosprezados. Esses últimos formam a maioria da população e quando não conseguem o mínimo de assistência passam a ocupar as ruas,vivendo em condições degradantes,embaixo de pontes e viadutos.Desse modo,quem tem relações fragilizadas,vive na esfera da pobreza ou faz uso de drogas integra o “bolsão” de miséria do país.Destarte,demonstra-se a falta de sensibilidade com o outro e medidas de resolução insuficientes,

Além do mais,revela-se a apatia com os moradores de rua que são alvos da violência. A exemplo de inúmeros casos vinculados na mídia,sobre pessoas que atearam fogo ou dos morreram de frio pelas praças e avenidas.Dessa maneira,apesar de haver os que ajudam com cobertores,alimentos e até hospedagem,denota-se medidas paliativas,já que é temporário e não atende a todos. Com isso,para legitimar a Constituição Cidadã é preciso estender os direitos. Conforme afirmou o filósofo Habermas,a sociedade é dependente das críticas às próprias tradições,ou seja, cabe atenção e praticidade.

É evidente,portanto,que a situação dos moradores de rua é resultado da ausência de políticas públicas e da exclusão social,Desse modo,cabe ao Governo Federal,por meio de dados levantados pelos governos estaduais, mapear os indivíduos em condições degradantes para priorizá-los em programas do “Minha casa,minha vida”, por exemplo.Ademais,haja união do setor privado com entidades sociais e religiosas para efetivar a proatividade em forma de disponibilização de oficinas de trabalho que ajudem a conseguir empregos. Afinal, todas as medidas são fundamentais para deixar apenas nas obras literárias a mazela dos que não possuem lar.