Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 27/02/2019
Pessoas que moram na rua são gente?
Exclusão social é definida como um processo de afastamento e privação de certos indivíduos ou grupos sociais de diversos âmbitos da estrutura da sociedade, assim como ocorre com os moradores de rua. De acordo com o IPEA, existem aproximadamente 150 mil pessoas sem moradia, decorrente de uma extrema ausência de auxílio governamental e despreocupação da sociedade em relação a esses cidadãos, tornando tal situação rotineira.
Contudo, conforme a Constituição Federal de 1988, moradia, saúde e educação é direito de todo e qualquer cidadão. Seria então morador de rua considerado nem mesmo cidadão? Um grande impasse encontrado para infelicidade da resolução de tal circunstância é englobá-los como pessoas sem residência fixa somente e não compreender que são um grupo heterogêneo, com milhares de motivos para submeterem a essa realidade, que gera outras diversas questões para serem solucionadas, como miséria e violência. Desta maneira, seguindo os princípios de Sebastião Barros Travassos, tais dilemas são consequência da exclusão social e falta de oportunidades, não priorizados pelo Governo.
Outrossim, a falta de empatia e preocupação da sociedade com essa parte da população demonstra a desumanização populacional. A aversão do público em relação a diferenças econômicas, sociais e de vida, principalmente, é nitidamente apresentada no poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, que demonstra a visão de certo alguém observando uma espécie de animal em um ambiente imundo e procurando alimentos entre o lixo, mas quando presta atenção, chega a conclusão de que na verdade o bicho é um homem.
Indubitavelmente, a dificuldade enfrentada com a questão dos moradores de rua vem alarmando cada vez mais na sociedade. Todavia, nada será resolvido se caso o Governo Federal, juntamente da Secretaria Nacional de Assistência Social e ONGs, não desenvolverem um projeto que proporcione moradia e educação a esses indivíduos, facilitando uma possível inclusão no ramo laboral e social. Da mesma forma, a mídia deve conscientizar as pessoas, por meio de programas e nas redes sociais, de que esses seres humanos têm uma história e principalmente sentimentos, mostrando que com um mínimo de ajuda e atenção, muitas vezes podem dar uma reviravolta na vida desses sofredores, concretizando a ideia de Richard Rorty de que não se depende de nada se a consideração é mútua.