Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 08/03/2019
Os desafios para promover a integração dos moradores de rua à sociedade tornaram-se uma questão muito pertinente nos últimos anos. De fato, de acordo com estatísticas da Prefeitura de São Paulo, existem quase 16 mil moradores de rua no Estado, o que revela um problema social de longa data e já agravado. Diante disso, dois aspectos fazem-se relevantes: a omissão do Estado e o preconceito enraizado na sociedade.
Em uma primeira análise, é fundamental mencionar o papel do Governo na persistência desse problema. Conforme Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Ao seguir essa linha de pensamento, nota-se que o aumento do número de pessoas vivendo em situação de rua corrói a ideia do filósofo; uma vez que apesar das diretrizes do Estado pregar a promoção da dignidade humana, o que se percebe na prática é que políticas horizontais que incentivam a integração, como o acesso a cursos técnicos de fácil inserção, são inexistentes ou escassas. Em virtude disso, a dignidade dessas pessoas é afetada, o que serve de base forte para a permanência do problema no país.
Adjacente a isso, é necessário destacar como preconceitos sociais contribuem com essa questão. Isto é, segundo um estudo do doutor Igor Rodrigues, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), boa parte das pessoas vinculam a imagem da população de rua a esteriótipos cercados de preconceito e desinformação. Comprova-se isso ao presenciar relatos de que esses indivíduos estão ali por escolha própria ou quando reduzem o problema apenas à falta de habitação ou fatores econômicos. Em face disso, boa parte dessas pessoas tornam-se invisíveis socialmente, o que acaba por dificultar o levantamento de políticas sociais a favor que combatem o problema e integrem essas pessoas no eixo social brasileiro como um todo.
Infere-se, portanto, que uma parceria entre o Estado a mídia e a escola seja formada para solucionar essa problemática. Logo, é dever do Governo Federal realizar um planejamento horizontal com o apoio de funcionários e alunos públicos que escutem essa parcela e a direcione para setores sociais de acordo com o desejo de cada cidadão, visando a uma integração gradual sem ferir os preceitos humanos. Ademais, cabe à mídia e as instituições educacionais, por meio de palestras e propagandas em horário nobre da TV, a ampliação da visão da sociedade a respeito dos principais problemas que levam as pessoas para as ruas, com o intuito de acabar com a generalização. Somente assim, futuramente, os moradores de rua poderão ter sua dignidade de volta, além de contribuir para o desenvolvimento do Brasil.