Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 10/03/2019
A clandestinidade social e institucional são elementos que baseiam a vivência de pessoas em situação de rua. Com a invisibilidade e a falta de recursos básicos oferecidos pelo Estado brasileiro, resta o desafio de promover a integração desse grupo à sociedade como um todo. Assim, essa tarefa deve ser atribuída aos órgãos governamentais responsáveis e a todos aqueles que prezam pela democracia e a dignidade humana no Brasil.
O arquétipo de pessoa vadiante, ladra ou viciada em entorpecentes é, atualmente, um dos maiores obstáculos para a integração de pessoas em situação de rua à sociedade. A população brasileira, no geral, desumaniza esse grupo ao naturalizá-lo a paisagens urbanas, como ocorre na Praça da Sé, em São Paulo, onde a presença de dezenas de pessoas famintas ao relento não causa comoção ou angústia, mas sim, por vezes, risos. Essa clandestinidade social reduz moradores de rua a nada, criando, inclusive, uma concepção errônea de que esse grupo está nas ruas porque deseja. O que evidencia uma incongruência desmedida, já que abrir mão do mínimo para sua dignidade, como moradia, alimentação de qualidade e saneamento básico, é surreal, ou, no máximo, ficcional.
Além dos obstáculos sociais, há também a clandestinidade institucional sofrida por moradores de rua. Atualmente, a insuficiência de trabalhadores devidamente capacitados nos equipamentos socio-assistenciais, como psicólogos e assistentes sociais em albergues e abrigos, inviabiliza a ascensão e independência de pessoas em situação de rua, já que essas medidas paliativas possibilitam, apenas, uma refeição e estadia por noite. Nesse sentido, ao não promover políticas públicas adequadas, o Estado se omite na promoção da dignidade humana, fazendo-se necessária uma autocrítica e mudanças.
Assim, para desfazer estereótipos e possibilitar a ascensão social de pessoas em situação de rua, é preciso que haja uma parceria público-privada entre os Ministérios da Cidade e Cidadania e a mídia. Logo, propagandas que reumanizem esse grupo, mostrando suas reais histórias e desejos, devem ser veiculadas em horário nobre nos canais de televisão. Além disso, as prefeituras devem ater-se às demandas das pessoas em situação de rua, ofertando cursos profissionalizantes e fácil acesso a programas sociais, assim como a contratação de mais profissionais adequados. Com essas medidas, não só o atendimento adequado será ofertado a pessoas em situação de rua, mas sua integração à sociedade, de forma justa, será possibilitada.