Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 14/04/2019

“Pessoas sem vida, Sem cor sem alegria/ Moram sob marquises, De prédios bem luxuosos”. Esses versos da banda DZK evidenciam a situação de pessoas que vivem ao relento no Brasil, a qual configura-se como uma  alarmante mazela social. Sob esse viés, a indiferença da comunidade e a negligência governamental destacam-se como fatores decisivos nessa questão. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de modificar essa adversa conjuntura no país.

De fato, a indiferença da comunidade para com a população de rua corrobora esse deturpado quadro nacional. Nessa perspectiva, observa-se os escassos gestos de empatia e de gentileza, bem como a falta de mobilização entre os indivíduos para realização de programas solidários, como a distribuição de roupas e de refeições para os mais necessitados. Essa situação é potencializada, muitas vezes, no não reconhecimento dos moradores de rua enquanto humanos, o que afeta a dignidade desse setor populacional, além de inviabilizar uma harmônica e saudável convivência comunitária. Isso ratifica o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual afirma que “Tudo que fazemos, ou deixamos de fazer, reflete no corpo social”, suscitando, assim, maior participação civil na questão.

Ademais, ressalta-se que a negligência do Estado contribui para o aumento de pessoas vivendo ao relento, inclusive muitas crianças, fato agravante nessa conjuntura social. Nesse sentido, verifica-se a mínima preocupação governamental com programas que propiciem o bem-estar desses indivíduos, os quais são constantemente sujeitos à violência e à fome. Em contexto análogo a esse, na obra Capitães da Areia, do autor baiano Jorge Amado, que apresenta a degradante realidade de crianças em condição de rua, percebe-se como consequência, tanto no romance, quanto na realidade, a evasão escolar e o descumprimento de diretrizes constitucionais que garantem a toda criança o direto à moradia e à proteção.

Destarte, é essencial alterar esse cenário brasileiro. Para tanto, é impreterível que a escola, instituição basilar para formação dos indivíduos, mediante palestras e campanhas frequentes que contem com o engajamento das famílias, enfatize a importância da empatia nas relações sociais, inclusive com as pessoas menos favorecidas, e mobilize a atuação solidária da comunidade, afim de amenizar a degradante condição de vida dos moradores de rua e viabilizar a harmonia social. Concomitantemente, é imprescindível que o Poder Público amplie as políticas voltadas à questão, por meio do redirecionamento de mais verbas para construção de abrigos e para realização de projetos que viabilizem o retorno das crianças à escola, com fito de propiciar aos jovens negligenciados uma realidade diferente da vivenciada pelos Capitães da Areia.