Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 08/05/2019

A obra “O Cortiço” do escritor Aluísio de Azevedo, retrata o cotidiano dos moradores do cortiço e as suas lutas diárias para sobreviver, por meio de uma abordagem determinista, que animaliza os personagens da história. Dessa maneira, há uma aproximação do livro com a realidade dos moradores de rua no Brasil, no que tange que a problemática ainda é persistente na contemporaneidade – seja por negligência estatal; seja social.

Convém ressaltar, a princípio, que, segundo a Constituição Federal, é garantido que todos os brasileiros tenham direito à moradia. Segundo pesquisas realizadas pelo G1, na cidade de São Paulo, mais de 15 mil pessoas não possuem um lar, mostrando o descaso civil que não é posto em prática, decorrente de políticas públicas ineficientes que somente levam em conta oferecer condições mínimas ao indivíduo para sobrevivência - ou não -, sem criarem um panorama que auxilie na mudança daquela situação, principalmente, na obtenção de um emprego. Mediante a isso, mostra-se a urgência em acabar com esse impasse.

Destarte, o âmbito social também auxilia nessa questão. De acordo com o filósofo Aristóteles, devem-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades. Nessa lógica, nota-se que a questão dos moradores de rua se transformou em algo cotidiano aos olhos de grande parte dos cidadãos, que já se habituaram a ela, deixando a ação de passar por esses indivíduos e se quer notá-los um senso comum. Nesse sentido, uma mudança de valores é fundamental para transpor a barreira de inclusão de pessoas que moram na rua.

Logo, Cabe aos órgãos governamentais em parceria público-privado garantir que a legislação seja executada, colocando em prática projetos habitacionais, que nunca saíram do papel, para proporcionar o início de uma “desmarginalização” que, com o decorrer dos anos, tende a ser efetivada. Ademais, no que tange ao preconceito da população, é necessário que ONGs e a sociedade promovam mobilizações sociais e campanhas que desconstruam as intolerâncias existentes para que essas pessoas deixem de ser “invisíveis”. Assim, a obra de Aluísio de Azevedo será apenas uma ficção, e não uma reflexão preocupante.