Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 15/05/2019

É indubitável que o avanço capitalista configura-se contraproducente à alguns aspectos do desenvolvimento social. Sendo assim, a situação dos moradores de rua, no cenário tupiniquim, é frágil e retrata como a lógica capitalista acentua a exclusão no âmbito social. Conforme dados do IPEA em 2016, existem cerca de 101.854 mil pessoas vivendo em situação de rua no Brasil. Com efeito, a falta de assistência governamental e o descaso populacional corroboram para a perpetuação de tal imbróglio.

Primordialmente, a ausência da efetivação da constituição- que garante saúde, educação e moradia para todos- dificulta a minimização do número de pessoas que vivem na rua. Para Jean-Jacques Rousseau, em seu livro, Do Contrato Social, o indivíduo submete-se a um pacto social que restringe sua liberdade  e, em troca, é dever do Governo garantir a segurança, moradia, alimentação, saúde e educação. Desse modo, observa-se que a soberania estatal não desempenha a sua função na conjuntura desse “acordo social”, visto que para alguns cidadãos os direitos constitucionais são negados, em virtude de sua situação de vida e por não se enquadrarem no atual modelo econômico.

Ademais, o descaso populacional, evidenciado no preconceito e na violência, impulsiona os efeitos da exclusão social. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a banalização do mal, caracterizada quando a perversidade passa a se constituir como algo comum e costumeiro, faz com que a sociedade não tenha uma atitude para combater os problemas existentes no mundo contemporâneo. Seguindo esse pressuposto, é notório que, a questão dos moradores de rua já se tornou cotidiana e grande parte da população habitou-se a ela, tornando o ato de passar por esse moradores e sequer notá-los, um senso comum. Com isso, esse pensamento presente no ideário canarinho, somado ao preconceito e à violência, agravam tal problema no Brasil.

Mediante o elencado, a situação dos moradores de rua representa um obstáculo no desenvolvimento comunitário. Portanto, é mister que o Governo Federal, em parceria com Secretaria Nacional de Assistência Social, crie programas que incorporem o indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e proteção a eles, para que os parágrafos da constituição sejam cumpridos. Além disso, a Mídia deve promover campanhas que divulguem a situação precária dessas pessoas e motivem a ajuda ao próximo, rompendo com a banalização do mal. Dessa maneira, será possivel combater tal problema.