Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 17/05/2019

No poema “o bicho” de Manuel Bandeira, é retratado um homem que vive em meio ao lixo e a imundície, perdendo seu sentido de “humano” para passar a ser representado como um animal de rua. Esse homem era apenas um morador de rua faminto, que, assim como apresentado nos versos, “não examinava nem cheirava, engolia com voracidade”. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Manuel Bandeira pode ser relacionada ao brasil do século XXI: gradativamente, as causas para viverem nas ruas e a exclusão social referente aos cidadãos de rua corroboram à questão vigente.

Em primeiro lugar, é importante destacar que uma pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social à fome (MDS), em parceria com a ONU, destacaram que alcoolismo, o uso de drogas, o desemprego, problemas familiares e perdas de moradias são elementos que consolidam as causas que levaram os cidadãos de rua nas atuais situações. Concomitantemente, a escolaridade também relaciona-se com os dados da pesquisa, haja visto que em grande parte, os cidadãos de rua não possuem o fundamental completo e alguns deles nunca estudaram.

Por conseguinte, presencia-se uma forte relação do tema exposto com a exclusão social, termo que caracteriza o distanciamento de uma pessoa ou grupo que esteja em situação vulnerável em proporção com a sociedade, tendo em vista a segregação social dos indivíduos que vivem nas ruas perante o resto das pessoas. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade líquida”, há a discussão acerca da fragmentação das relações interpessoais, em que a individualidade se dá em detrimento do coletivo, isto é, a perda do coletivismo em face do individualismo. Soma-se a isso, a ideia de empatia seletiva, conceito relacionada à seleção de solidariedade, e o pensamento blasé, uma atitude de indiferença a algo, para elucidar o processo de exclusão social vivenciada pelos cidadãos de rua.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério dos Direitos Humanos, juntamente com ONGs relacionadas ao problema, produza, por meio de verba governamental, campanhas de conscientização nas mídias que explicitem as condições dessas pessoas em vulnerabilidade. Outrossim, programas voltados às casas de acolhimento, em que atuam na alimentação, moradia, assistência social e atendimento de saúde, além de capacitação e remuneração por horas diárias trabalhadas, são cruciais para cessar os impasses travados e devem entrar em pautas governamentais, unindo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o Ministério do Trabalho e do Emprego.