Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 16/06/2019

Sempre houve pessoas extremamente pobres no mundo. Contudo, atualmente parece mais corriqueiro deparar-se com um mendigo no sinal ou um morador de rua no centro comercial de uma cidade. Os motivos para morar na rua são vários, mas o interessante é que somente a metade (aproximadamente) mora na rua por causa da pobreza. Essas pessoas passam, além das dificuldades de se morar na rua, por um completo desprezo e descaso tanto do governo quanto das outras pessoas.

Desde a antiguidade, as pessoas mais abastadas ajudavam as mais pobres como em um vínculo de fraternidade. Na idade média, os fiéis católicos, que formavam quase toda Europa, eram ensinados a praticar “atos de piedade”, como eram chamados as doações para os pobres que não tinham moradia. Hoje em dia, embora existam muitas pessoas solidárias que fazem doações para abrigos e instituições de mesmo propósito, a prática da caridade já não é mais um hábito, mas um ato isolado. Não só isso, mas também o governo esquece desses moradores de rua. Não há investimento no sentido de alcançar os mendigos com moradias ou emprego. Se há, nem é percebido nem por quem mora na rua, nem por quem vê, diariamente, esse lamentável cenário todos os dias.

Um dado intrigante nos faz questionar também se todos os casos deveriam ser resolvidos com construções de abrigos apenas. A maior parte dos moradores de rua estão lá por envolvimento com drogas, abandono familiar ou até mesmo desemprego. Ainda é curioso que, muitas vezes, as pessoas que estão na rua não têm desejo de melhorar de vida ou então não acreditam que seja possível. Mesmo aqueles que estão na rua que não por pobreza extrema também não têm qualquer perspectiva. A pergunta, então, é: por que o governo deveria intervir? Ao circular por qualquer centro comercial, vê-se muitas pessoas mendigando ou revirando lixo. Além de manchar a imagem da cidade, isso ajuda a “marginaliza-la”. Essa imagem marginalizada incentiva o descuido da população quanto à imagem das ruas, pois desprezam as pessoas em tal situação. Por isso, é do interesse do estado ressocializar essas pessoas proporcionando-lhes uma vida digna (elevando o IDH), e introduzindo mais pessoas no mercado de trabalho, movimentando o mercado e pesando positivo na economia.

Apesar de soar como algo inalcançável, é possível mudar esse cenário. O governo, hipoteticamente, investindo em abrigos para todos os moradores de rua, poderá criar programas para emprega-los. Os envolvidos em drogas, por sua vez, serão enviados para centros de recuperação. Em algum momento, os ressocializados terão condições de se sustentar sozinhos e ter a própria moradia. Embora seja impossível alcançar todos os mendigos, essa é uma maneira viável de resolver, mesmo em parte, esse problema social muito presente no Brasil.