Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 15/06/2019

Pessoas que passam as noites dormindo nas ruas, em praças, embaixo de viadutos e pontes são consideradas pessoas em situação de rua. Além desses espaços, também são utilizados locais degradados, como prédios e casas abandonadas e carcaças de veículos, que têm pouca ou nenhuma higiene. Os “moradores de rua” são pessoas que vêm de diferentes vivências e que estão nessa situação pelas mais variadas razões. Há fatores, porém, que os unem: a falta de uma moradia fixa, de um lugar para dormir temporária ou permanentemente e vínculos familiares que foram interrompidos ou fragilizados. E com a crise que vivemos, a tendência é haver cada vez mais pessoas morando nas ruas.

Na rua, além da carência de recursos, as pessoas enfrentam outro problema: a exclusão social. Elas sentem que não são ninguém pelo jeito que são tratadas, e esse é um motivo que explica o porque muita gente que vive na rua tem depressão. Além disso, precisam lidar com uma série de questões inoportunas: violência, falta de saneamento básico e higiene, a falta de alimentação, a precariedade e o abandono de uma vida confortável em geral. E a falta do número de camas nos abrigos  é um problema crônico na maioria das cidades.

Ao contrário do que se pode acreditar no senso comum, a maioria dos moradores de rua são trabalhadores. Grande parte deles, 70,9%, exerce uma atividade com remuneração e 58,6% afirma ter alguma profissão, mesmo que fazendo parte da chamada “economia informal”, na qual não há um trabalho fixo, contratação oficial e carteira assinada. As atividades mais praticadas por eles são as de: catador de materiais recicláveis (27,5%), “flanelinha” (14,1%), trabalhos na construção civil, “pedreiro” (6,3%), entre outras.

A quantidade crescente da população em situação de rua é um tema de reclamação constante por parte da sociedade. Muitos reclamam sem saber o motivo que levou o morador de rua a este tipo de vida, tratando pessoas como se fossem lixo, achando que a simples “remoção” de local, através do acolhimento, é a solução do problema. Em alguns países, organizações não governamentais estão se mobilizando para implementação de alternativas para o assunto. Terrenos estão sendo comprados para a construção de vilas, com pequenas habitações, mas fundamentalmente, a organização e orientação de vocações e habilidades produtivas, para que, pelo próprio trabalho, obtenham seus sustentos. O trabalho é instrumento de ressociliazação, estruturado através de cooperativas vinculadas a cada núcleo implantado, com a assistência de técnicos nas respectivas áreas de produção - artesão, agrícolas, costura etc.