Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 15/06/2019
Na obra “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social” o autor Fernando Braga da Costa relata a experiência de ser gari, amparada em histórias dessa profissão. Nesse sentido, a obra evidencia o alcance da invisibilidade social dos garis, a qual acomete diversos grupos da sociedade hodierna, como os moradores de rua, vistos como não portadores de cidadania, simplesmente pela sua posição. Dessa forma, é pertinente ponderar como a ineficiência do poder público aliada à falta de altruísmo na sociedade configuram intempéries para a problemática.
Em primeiro plano, a falta de integração política e social representa uma das faces da questão dos moradores de rua no país. Isso é decorrente de políticas públicas ineficientes que somente levam em conta oferecer condições mínimas ao indivíduo para sobrevivência, sem criarem um panorama que auxilie na mudança daquela situação, principalmente, na obtenção de um emprego. Nesse âmbito, medidas paliativas como a oferta de refeições e vagas para dormir em abrigos públicos não conseguem resolver o atual quadro e evoluírem para medidas mais efetivas, a considerar a particularidade das situações, o que contrapõe o contratualista Rousseau, que atribui ao Estado o papel de gestor do bem- estar social. Em razão disso, há um agravamento da situação dos moradores de rua, ao passo que o arrocho econômico pelo qual o país passa impõe restrições de mais investimentos na área.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de ações capazes de alterar a perspectiva dos moradores de rua no Brasil. Assim, as Secretarias de Desenvolvimento Social devem ampliar as políticas públicas atuais, por meio da exigência dos setores públicos e privados na contratação de indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que são recebidos em abrigos, além de realizar estudos regionais para desenvolver projetos específicos às particularidades das situações, a fim de contribuir para uma política mais integradora.