Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra”. O verso de Carlos Drummond de Andrade parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que a questão da população em situação de rua é interpretada como um obstáculo que impede a caminhada do país, sendo característico da falta de assistência governamental e descaso da população.
Em primeiro plano, pode-se dizer que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Para Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado, entretanto, observa-se que o Governo rompe com essa harmonia, haja vista que, embora a moradia, a alimentação e a saúde sejam direitos básicos garantidos pela Constituição, para os moradores de rua eles lhes são negados. Essa realidade representa, segundo as ideias do filósofo John Locke, uma violação do Contrato Social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos gozem de seus direitos.
Além disso, destaca-se a alienação da população frente a essa questão como impulsionadora dos efeitos da exclusão social. Nota-se que a questão dos moradores de rua já se tornou cotidiana e grande parte dos cidadãos já se habituou a ela, tornando a ação de passar por esses indivíduos e sequer notá-los, um senso comum. Consoante ao pensamento de Schopenhaur, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto esses problemas não afetarem a vida da população, esta não dará importância e, assim, o fortalecimento desse tipo de pensamento é transmitido de pessoa a pessoa, agravando o problema no Brasil.
Compreende-se, portanto, que é dever o Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles. Ademais, cabe à mídia promover campanhas de abrangência nacional que divulguem a situação dessas pessoas e motivem a ajuda ao próximo, incentivando o sendo de coletividade. Somente assim, retirando as pedras do caminho que se alcançará um país sem desigualdade.