Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 03/09/2019

No livro 40 dias de Maria Valéria Rezende, é retratado as condições de vida dos moradores de rua, e as necessidades do cotidiano, como a fome, o frio, a violência e o preconceito. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória da personagem Alice, ou professora Poli, uma mulher que foi obrigada pela filha a se mudar para Porto Alegre, e devido à problemas familiares passou quarenta dias nas ruas da capital, onde presenciou essa triste realidade. Fora da ficção, é fato que os relatos apresentados por Alice podem ser relacionados as dificuldades enfrentadas por essa minoria atualmente no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário debate sobre as causas, consequências e a possível solução da problemática.

Em primeiro lugar, é importante destacar que  em função da ausência de diretrizes públicas eficientes para essa população, estes se tornam mais vulneráveis ao descaso e a violência. De acordo com dados do IBGE, o país aumentou em quinze por cento o número de pessoas em situação de rua em 5 anos, e hoje existe quase cem mil cidadãos nessa condição. Entretanto, essa parcela da população contínua imperceptível para a maioria da nação e dos órgãos públicos, pois é comum na mídia os casos de expulsão e agressão, realizadas até por agentes públicos, como o ocorrido na capital de São Paulo, onde os moradores foram expulsos com jatos de água. Logo é substancial reverter essa condição de invisibilidade, a mesma sentida por Alice em seus dias de rua.

Por conseguinte, é necessário ressaltar que em muitos casos o amparo fornecido pelo estado é precário. Em consonância com o documentário “Eu existo”, que realizou entrevistas com os moradores de rua para elencar as adversidades enfrentadas, eles evidenciam a existência de albergues em condições insalubres, com falta de alimento e incapacidade de atendimento à demanda de necessitados, além disso, em alguns casos os prestadores do serviço são despreparados, agindo com agressividade e indiferença. Desse modo, estes preferem continuar nas ruas, onde podem ser alvos de ataques violentos. Sendo assim, urgem medidas para impedir a prática desses atos que são contrários a Constituição Federal.

Em suma, com o intuito de amenizar essa situação é necessário intervenção do Ministério da Assistência Social. Esse Ministério, através do fomento do Governo deve desenvolver uma estratégia de reforma e ampliação das instituições acolhedoras, a fim de proporcionar um ambiente digno para as pessoas em situação de rua, onde eles se sintam acolhidos. Em acréscimo, a Secretária de Segurança Pública necessita desenvolver uma campanha alertando sobre as punições nos casos de agressão, por meio de publicações em diversos meios, para diminuir esses casos. Feito isso, espera-se que a Poli e seus companheiros de rua, Lola e Arturo vivenciem a brutalidade da humanidade apenas na ficção.