Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 09/09/2019
A obra cinematográfica “Topografia de um desnudo”, baseada em uma história real dirigida por Teresa Aguiar, relata a investigação de corpos encontrados nos rios Guandu e da Guarda, cujo acontecimento se concretizou por meios de experimentos de tortura em mendigos para serem utilizados nos rebeldes que descumpriam as regras da Ditadura Militar da década de 1964. Analogamente, o Brasil hodierno segue o mesmo caminho na questão da desvalorização dos moradores de rua, haja vista, a negligência governamental nas condições de pobreza absoluta e a falta de empatia social em uma sociedade egoísta. Logo, essa problemática constitui um desafio a ser enfrentado por toda conjuntura social.
Mormente, é oportuno frisar que as massas marginalizadas sofrem inúmeras dificuldades na sociedade atual. Ao parafrasear Daniel Lefebvre, os moradores de rua são pessoas privadas do que nos torna humanos. Dessa maneira, é possível perceber o descumprimento das normas do artigo 5 da Constituição Federal (CF) , que assegura a dignidade de todo cidadão,como por exemplo, moradia, segurança e bem estar. Esse cenário se dá por conta de uma lógica capitalista movida por fins lucrativos. Por conseguinte, a população com pobreza absoluta tornam-se alvos de desprezo e a democracia se abala, no qual acarreta uma sociedade meritocrata.
Paralelamente, de fato o julgamento e a apatia é algo presente no cotidiano brasileiro. Conforme os pensamentos do filósofo Nicolau Maquiavel: “Os fins justificam os meios”. Em controvérsia, a população meritocrática se recusa à buscar a fundo os motivos que levaram as pessoas a se afundarem em uma vida de miséria e calamidade. Esse quadro se agrava à medida em que esses seres passam a ser comparados com animais irracionais, como no poema de Manuel Bandeira: “Vi ontem um bicho na imundice do pátio catando comida entre os detritos… O bicho, meu Deus, era um homem”. Por efeito a isso, essa massa marginalizada são excluídos da sociedade e ocupam um espaço de desigualdade.
Os detritos argumentativos supracitados urgem por uma solução. Segundo a CF o direito ao bem estar é fundamental, e a interpretação adotada pelo próprio Tribunal Federal versa a consolidação desse direito, é necessário garantir a dignidade por meio de ações governamentais satisfatórias e praticas para o exercício da mesma. Prontamente, cabe ao Governo Estadual, visto suas ações serem de maior abrangência em cada região, realizarem um programa de acolhimento aos mendigos - o que incluirá a construção de casas pequenas e a criação de carteiras de trabalhos -, afim de trazer inclusão desses indivíduos no corpo social. Outrossim, as Famílias, deverão ensinar seus filhos o poder da ética e moral, para a empatia ser uma pratica unanime no meio social. Assim, a harmonia será restaurada, e a frase “O mal é fortalecido por um sistema precário” de Hannah Arendt será enfraquecida.