Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 09/09/2019
“Vi ontem um bicho/Na imundície do pátio /Catando comida entre os detritos./Quando achava alguma coisa,/Não examinava nem cheirava:/Engolia com voracidade./O bicho não era um cão,/Não era um gato,/Não era um rato./O bicho, meu Deus, era um homem”. O célebre poema de manuel Bandeira retrata a realidade de muitas pessoas no Brasil hodierno que vivem em situação de rua, vítimas da exclusão social, preconceito, além do desprezo populacional e governamental - uma vez que não tomam atitudes para mudar tal cenário-. Assim, é necessário a ação de forças que tirem o atual panorama da grande bolha sociocultural em que se encontra a partir da discussão da questão.
Em primeira análise, vale salientar que a Constituição Federal assegura ao cidadão brasileiro o direito a dignidade, porem, vê-se que a própria população menospreza o morador de rua e não luta pelos seus direitos constitucionais, mas grande parte age com indiferença ao trata-los como animais. Esse cenário retrata a modernidade líquida de Bauman, no qual a sociedade se preocupa apenas com seus próprios desejos egoístas sem dar importância ao seu próximo que nesse caso, clama por ajuda da população brasileira que, por sua vez não faz valer o hino nacional ao dizer " Se o penhor dessa igualdade " .
Como segunda análise, cabe pontuar que em todo o Brasil, 101 mil pessoas vivem nas ruas, de acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse número só tem crescido nos últimos anos, impulsionado pelo aumento do desemprego e, outros motivos que levam muitas pessoas às ruas são a ausência de auxílio ao saírem do sistema carcerário, alcoolismo, drogas e conflitos familiares. Imigrantes também têm cada vez mais ido parar nas ruas, por não encontrarem assistência e emprego. O que todas essas coisa possuem em comum é a falta de políticas públicas que os auxiliem nas mais diversas situações que a população se encontrar.
Consoante a Marcel Proust “Saber nem sempre permite evitar”. Assim, cabe ao ministério da educação, devido seu grande poder de influência, incentivar as crianças desde cedo a entender a dor do próximo através de um currículo escolar aperfeiçoado com aulas de sociologia de campo que retratem a realidade do morador de rua. Dessa forma, as raízes do preconceito poderão ser rompidas. Ademais, as prefeituras de cada município devem aliar-se as Organizações não Governamentais (ONG’s) para desenvolver centros de auxilio aos moradores de rua de forma a oferecer a essa população educação- com objetivo de reinseri-los na sociedade- e educação esportiva para reanima-los. Só assim, a sociedade poderá vivenciar dias melhores, no qual poemas como o de Manuel Bandeira supracitado possam ser cada vez mais raros no Brasil e a grande bolha sociocultural possa ser rompida.