Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 10/09/2019

“Eu sou o resto do mundo/ Eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo/ Eu sou o resto do mundo/ Eu não sou ninguém.”- a letra da música “O resto do mundo”, do cantor Gabriel O Pensador, retrata a realidade das pessoas em situação de rua. Hoje, o Brasil se relaciona com o contexto da canção, já que o isolamento social destes indivíduos é uma verdade. Dessa forma, cabe afirmar que se mantém pertinente discutir a problemática.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que os moradores de rua enfrentam situações lastimáveis que ferem a sua dignidade. A ação conhecida como “bota abaixo”, realizada no século XX, teve o objetivo de acabar com os cortiços e ampliar as ruas da cidade Rio de Janeiro, mas, por conseguinte, ocasionou a ocupação de ruas e morros, pois as pessoas prejudicadas não foram indenizadas. Assim, fica evidenciado que as implicações que leva a ter que residir em locais públicos não são os mesmos, como, por exemplo, o alcoolismo e problemas psicológicos. Dentre outros, é pertinente destacar, também, que a falta de assistência é existente. Em função dos argumentos, fica visível a ferida aberta na dignidade dessas vítimas do isolamento social.

Fundamentado nesses dados, há de convir que a fome e a marginalização pode, muitas vezes, guiar o ser-humano ao consumo de substâncias ilícitas, como uma forma de refugio do sofrimento, ou ao mundo do crime, como uma forma de salva-lo da fome. Do ponto de vista da professora Adele Cortino, vive-se em uma sociedade que tem aversão aos pobres, a qual ela denomina como aporofobia. Nessa perspectiva, é possível relacionar a ausência de acesso à cultura a essa causa. Como se pode ver, é de suma necessidade a prática de medidas interventivas.

Em detrimento do cenário exposto, é urgente a mobilidade de medidas interventivas no seio da questão da hodierna situação dos indivíduos em situação de rua no Brasil. Prontamente, o governo Estadual, devido o seu poder de abrangência, deve acolher os moradores de rua em abrigos que forneçam alimentação e higiene, além de apoio psicológico e apoio a usuários de drogas, por meio de clínicas de reabilitação, para que seja reestabelecida a dignidade perdida e que sejam qualificados profissionalmente para que tenham capacidade de se auto sustentarem. Concomitante a isso, é de suma importância a ajuda das igrejas realizar a socialização entre os indivíduos. Outrossim, também é dever do governo de cadastrar todos no programa já existente “minha casa, minha vida” para que tenha um lugar definitivo para morarem. Com a junção dessas ações, os cidadãos que necessitavam de amparo serão considerados, por si próprio, com alguém reconhecido pela sociedade, o que, finalmente, cicatrizará a ferida causada pelo isolamento social.