Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 10/09/2019
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, nos artigos VI e XII, respectivamente, todo ser humano tem o direito de ser reconhecido como pessoa perante a lei e o direito à residência. Ao contrário disso, no Brasil hodierno vivem milhares de pessoas em situação de rua e, de certa forma, invisíveis para a sociedade. Diante dessa realidade, é possível perceber que os indivíduos que vivem nessas condições chegaram a esse nível pela dificuldade de se conquistar uma vida digna. Ademais, as políticas públicas relacionadas a moradores de rua são pouco eficazes e pouco eficientes. Sob ponto de vista análogo, é imprescindível a tomada de medidas interventivas para a problemática de modo a melhorar o padrão de vida da população como um todo.
Em um primeiro momento, é importante dizer que a complicação em alcançar um padrão de vida digno aliada a privação de apoio familiar, governamental e social são os principais fatores que levam o indivíduo a viver como indigente. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, os principais motivos que levam pessoas a morarem na rua são a perda do emprego e conflitos familiares, com cerca de 29,8% e 29,1%, respectivamente, dos entrevistados. Como se pode ver, o custo de conseguir lugar no mercado de trabalho e a “liquidez das relações”, como define o sociólogo Zygmunt Bauman, têm deixado centenas de cidadãos brasileiros com a “melhor opção” de viver na rua.
Concomitante a isso, as políticas públicas e sociais têm apresentado uma limitada eficiência e, por conseguinte, pouca eficácia. Como foi colocado, os aspectos trabalhistas e familiares contribuem para a existência de moradores de rua, contudo existem outras razões para tal contexto, oriundas de outras problemáticas como, por exemplo, o alcoolismo e o uso de drogas. Os dados da pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que, 35,5% da população em situação de rua foi levada a essas condições pelo vício do álcool e entorpecentes. Isso indica que, existe um problema gerado a partir de outros, o que acarreta a formação de grandes obstáculos sociais e transtornos para a população.
Face ao exposto, é pertinente dizer que a questão social dos moradores de rua deve ser discutida e solucionada. Tendo isso em vista, cabe ao Governo Federal, juntamente com a esfera estadual, intensificarem os projetos já existentes, cujo objetivo seja o auxílio aos mendigos e a reintegração destes na sociedade, além de intensificarem a prevenção ao uso de drogas e repressão ao narcotráfico, de forma a resolver o impasse vividos pelos pedintes e evitar que isso se torne um ciclo. Em função disso, também é dever das famílias auxiliar e apoiar seus membros, pois um dos principais refúgios de um indivíduo é a própria família. De forma geral, é mister que a sociedade se preocupe com seus próprios membros porque, como dissera Martin Luther King, “toda hora é hora de fazer o que é certo”.