Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 14/10/2019

Na obra francesa “O corcunda de Notre Dame”, o protagonista, por possuir uma anomalia física, é excluído da sociedade. De maneira análoga, fora da ficção, tal quadro de segregação é uma realidade para inúmeros cidadãos que vivem em condição de rua, o que fomenta um cerne antidemocrático. Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal, seja pela apatia cívica.

Decerto, avanços favoráveis aos moradores de rua foram concretizados, a exemplo da integridade cidadã assegurada pela Carta Magna de 1988. Porém, pela deficiência na promoção de projetos de ressocialização, como centro de acolhimento dentro dos bairros, o cenário é de vulnerabilidade. Assim, nota-se o rompimento das gestões públicas com a óptica de Thomas Hobbes, que pontua o Estado como responsável pela harmonia coletiva, pois, além do conflito, há a falta de políticas efetivas.

Outrossim, vale ressaltar o posicionamento apático social como notório impulsionador da problemática. Nesse ínterim, a inércia, defendida pelo físico Newton, pontua a continuidade da configuração de um corpo até a ação de uma força externa. Dessa forma, observa-se que a lógica apática civil, passiva no contexto coletivo, estimula o problema, porque, graças à carência de mobilizações, como mutirões de caridade, a ordem vigente é mantida.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que revertam a situação. Nesse caso, cabe às prefeituras a efetivação dos direitos civis, por meio da criação de um projeto de polos de acolhimento que promova educação, trabalho e lazer ao morador de rua, a fim de ressocializá-lo e atenuar o déficit governamental. Ademais, compete às associações comunitárias, aliadas às famílias e escolas, o estímulo à visão empática, com o uso de ações lúdicas, como gincanas voltadas ao auxílio dos moradores de rua, para reduzir a apatia populacional. Destarte, o contexo de brasileiros não será análoga ao visto em “o corcunda de Notre Dame”.