Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 14/10/2019

Selva de pedra, menino microscópico, o peito gela onde o bem é utópico. É o novo tópico, meu bem, a vida nos trópicos não está fácil para ninguém. No trecho citado, o “rapper” Emicida descreve a situação de grande parte das minorias no Brasil. Assim, entre os fatores que dificultam a vida nos trópicos, se encontra a falta de moradia para todos, problema advindo, principalmente, da desigualdade social e da especulação imobiliária.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a desigualdade brasileira é uma das maiores do mundo: segundo o IBGE, 1% da população nacional tem o salário 36 vezes maior do que sua metade mais pobre. Por conseguinte, tal disparidade provoca inúmeras consequências na vivência dos indivíduos, como a dificuldade de ascensão social e a grande exposição ao crime, às drogas e à prostituição, e esses motivos, por sua vez, podem levar o sujeito a morar na rua facilmente, pela dificuldade de se prover financeiramente ou por vícios e envolvimento em crimes.

Ademais, o encarecimento dos preços dos imóveis para aluguel ou compra é um fator importante para a falta de moradia no Brasil. Os altos preços, pois, são resultados da enorme especulação imobiliária vigente nas grandes cidades, que consiste na acumulação de casas ociosas na espera da sua supervalorização. Desse modo, a pobreza gerada pela desigualdade social aliada à capitalização da moradia levam vários indivíduos à situação de rua, o que contraria a Função Social da propriedade prevista da Constituição brasileira.

Sintetiza-se, portanto, que há urgência em atenuar a problemática exposta. Para isso, o Governo Federal deve agir com rapidez e eficácia no combate à desigualdade social, por meio da promoção da educação básica de qualidade, com maiores investimentos nas escolas públicas, no transporte e no alimento para os alunos e suas famílias. Além disso, é necessário o envio abundante de assistentes sociais para zonas periféricas e que eles notifiquem as prefeituras das maiores necessidades do local. Dessa forma, os meninos deixarão de ser microscópicos no Brasil.