Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 14/10/2019
No hino nacional, o Brasil é tratado como terra de penhor igualitário, no entanto, percebe-se que a visão de Osório Duque-Estrada, afamado pela autoria do hino, é destoante da realidade brasileira na atual conjuntura. Hoje, nota-se a ausência e precariedade de moradias como adversidade que assola o país. Dessa forma, torna-se fulcral analisar a restrição da cidadania e o descaso com o viés humanitário.
Sob esse viés, é indispensável pautar a desigualdade social como fator contribuinte à quebra de direitos, bem como o acesso à moradia, de modo a transpassar um ciclo vicioso entre o desejo de poder e a cegueira coletiva. Prova disso é o filme “Bacurau”, o qual preconiza o descaso sociopolítico para com moradores interioranos, de maneira a salientar o reflexo de uma sociedade aprisionada à empatia seletiva. Sendo assim, a crença na cultura ética e igualitária torna-se cada vez mais uma utopia hodierna.
Ademais, a rotulação de moradores de rua transgride um cenário de invisibilidade e animalização do ser, de forma a retratar um quadro fluido. A título de exemplo, tem-se o poema “O bicho”, de Manuel Bandeira, o qual preconiza a objetivação lucrativa em detrimento à angariação de valores, de modo a constituir a vulgarização de ações opressivas. Dessa maneira, o auxílio para com pessoas em situação de rua ainda consolida-se como pauta secundária.
Infere-se, portanto, a permutação da perspectiva presente diante do descaso evidenciado aos moradores de rua. Assim, urge ao Ministério a Infraestrutura, a intensificação de iniciativas públicas efetivas, bem como o exercício de direitos e construção de alojamentos estruturais com o fito de promover a inserção individual à sociedade. Além disso, cabe à imprensa socialmente engajada, a criação de novelas e desenhos com a temática do respeito mútuo a fim de ocasionar uma massa populacional isenta das amarras da alienação. Dessa forma, é fundamental que o Brasil não permaneça deitado eternamente em berço esplêndido.