Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 24/10/2019
“A humanidade passa indiferente por muitas pessoas”. A frase anterior, dita pelo filósofo Karl Rokitansky, se encaixa no contexto brasileiro atual, no qual, moradores de rua, além de não terem seus direitos garantidos, são desprezados por quase a totalidade das pessoas que os rodeiam. Deste modo, a inibição da posse de um lar para viver, mesmo havendo inúmeros apartamentos sem ocupação nos centros urbanos, como também a invisibilidade que estes desfavorecidos é imposta, colaboram para que o problema se perpetue.
Em primeira análise, vale ressaltar que, segundo o prestigiado filósofo Francis Bacon, ”as casas foram construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas”. Diante do exposto, evidencia-se que há uma grande contradição por parte do poder público, uma vez que, em dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada), no ano de 2015, cerca de 100 mil pessoas habitavam as ruas, mesmo havendo inúmeros apartamentos nos grandes centros urbanos sem moradores. Tal arbitrariedade, além de desumana, também é um crime, já que estes locais não cumprem a sua função imposta pela Constituição de 1988, a qual prevê que todos as propriedades, rurais ou urbanas, não estejam ociosas.
Concomitante a esta dimensão política, a sociedade também mais cumpre seu papel de manter a harmonia com os demais, mas sim, se mostra preconceituosa ao menosprezar as pessoas em situação de rua. Cuja circunstância serviu de tema para o livro “Homens Invisíveis”, de Fernando Braga da Costa, o qual, como forma de experimento e pesquisa, vestiu-se de gari e pôde perceber o quão inferior é o tratamento dado às pessoas pertencentes as mais baixas funções do corpo social.
Em suma, medidas para levar visibilidade aos que habitam as ruas precisam ser tomadas. Iniciando pelo Governo Federal, contando com a ajuda humanitária de empresas públicas e privadas, que devem verificar quais prédios foram realmente abandonados, para que estes possam ser reformados e sirvam de moradia às pessoas desfavorecidas, por meio da contratação de fiscais que analisarão as escrituras de cada local, como também engenheiros e técnicos que posteriormente farão as reformas. Além do mais, é necessário que a mídia divulgue o trabalho feito pelas ONGs (Organizações Não Governamentais), por intermédio dos comerciais de televisão, buscando assim, tirar a “capa de invisibilidade” que os moradores de rua carregam e atrair mais pessoas dispostas a auxiliar a entidade.