Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 15/10/2019
Na obra “Utopia” de Tomas Morus, vê-se a idealização de uma vida coletiva e harmônica, em que os indivíduos compartilham de forma igualitária as condições de vida. Não obstante, esse cenário não se efetiva no Brasil, visto que é alarmante a situação dos moradores de rua. Nesse contexto, pontuam-se como causas de tal problemática a negligência estatal e a exclusão social, revelando uma sociedade alheia ao outro.
Em primeiro plano, ressalta-se que, de acordo com Locke, filósofo iluminista, o Estado surge para proteger os direitos do cidadão. Sob tal ótica, é notável que se tratando dos moradores de rua, seus direitos não são plenamente exercidos. Sobretudo porque o assistencialismo a esses indivíduos é bastante precário, visto que falta abrigo e alimentação, deixando-os vulneráveis à vivência nas ruas. Basta ver que, segundo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) cerca de 102mil pessoas estão em situação de rua, caracterizando uma parcela “invisível”. Logo, é fulcral a interferência estatal para garantir os direitos desses indivíduos.
Em segundo plano, a exclusão social vivida pelos moradores de rua é outro fator para a caótica situação desses. Isso porque o estado de pobreza agrava a invisibilidade social e os estereótipos, fazendo com o cidadão menos beneficiado economicamente tenha meios limitados para ascender socialmente ou para sobreviver, haja vista que esses indivíduos têm menos chances de encontrar um emprego, pois são rotulados de acordo com a classe social que pertecem. Consoante José Saramago, metaforicamente, a sociedade é acometida por uma cegueira branca causada pela insensibilidade e intolerância, cegueira essa que corrói nossa alma e nos desumaniza dia a dia. Com isso, mostra a lamentável falta de empatia vivenciada no cenário hodierno.
Destarte, evidencia-se a necessidade de intervir na situação dos moradores de rua. Dessa maneira, é imprescindível que o Estado, agente responsável pela estrutura e funcionamento do corpo social, garanta o pleno exercício dos direitos desses cidadãos, mediante a ampliação da campanha assistencialista, uma vez que essas aumente as acomodações em albergues, como também disponibilize roupas, cobertas e alimentos para essa parcela da sociedade. Assim, poder-se-á assegurar melhorias sociais e visibilidade a esses indivíduos.