Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 15/10/2019

A telenovela Verdades Secretas retratou, dentre os muitos núcleos e temas abordados, a história da personagem da atriz Grazi Massafera, que interpretou o drama de uma modelo bem sucedida que entra no mundo das drogas, torna-se dependente química e acaba virando moradora de rua. A novela foi uma das poucas a abordar esse assunto nas televisões e que vai além da ficção, sendo uma questão social latente no país, mas muitas vezes negligenciada.

Visto que a definição da Secretaria Nacional de Assistência Social mostra que a população em situação de rua se caracteriza como um grupo populacional heterogêneo, composto por pessoas de diferentes realidades, mas que tem em comum a condição de pobreza absoluta, vínculos interrompidos ou fragilizados e falta de habitação convencional regular, consequentemente, fazendo da rua um espaço de moradia e sustento temporário ou permanente. Ademais, a cidade de São Paulo abriga cerca de 15 mil pessoas em situação de rua, mas dados recentes da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social mostram que esse número obtido em 2015 está crescendo a cada ano.

Além disso, alguns dados da revista IstoÉ de 2008, mostram o porquê dos indivíduos se encontrarem em situação de rua, apontando que cerca de 36% são por conta de alcoolismo ou drogas, 30% desemprego, 30% problemas familiares, 20% perda de moradia e 16% decepção amorosa. É uma população de anônimos, marginalizados pela sociedade, às vezes delirantes, subnutridos e mal trapilhos que vagam pelas ruas de todas as cidades brasileiras cotidianamente, lutam contra o desânimo, o esgotamento físico, psicológico, além de casos de dependência química, como as drogas e/ou casos de doenças mentais que potencializam o cenário. Contudo, em Curitiba, um exemplo de esperança está na Fundação Ação Social que acolhe indivíduos para passarem a noite no abrigo, disponibilizam itens de higiene pessoal, ajuda psicológica, comida e oportunidades de estudos.

Dessa forma, o morador de rua é uma questão social negligenciada no Brasil, pois muitas das vezes há o preconceito ou o medo da sociedade perante esses indivíduos, sendo necessário a ampliação de uma visão mais humanitária pela mídia, tal como, divulgando boas ações, como o exemplo do abrigo em Curitiba, assim como, criando redes de ações humanitárias para a retirada dos mesmos da situação de exclusão social. Além disso, é necessário por parte do Ministério de Saúde, por exemplo, a distribuição de remédios nos postos de saúde do município, além disso, encaminhar os dependentes químicos à clínicas de reabilitação, por meio de agentes sociais que possam conversar com os moradores e entender os motivos nos quais eles se encontram ali, a fim de melhorar sua condição física e psicológica. Aumentando assim as chances de se alcançar uma cidadania mais plural.