Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 18/10/2019
O filme “À Procura da Felicidade”, protagonizado pelo norte-americano Will Smith, retrata a história de um morador de rua e seu filho, que passam por muitas dificuldades em busca de melhores condições de vida. Na realidade brasileira, o cenário é convergente: milhares de pessas vivem nas ruas, expostas ao tempo e muitas vezes em situação de fome. Com efeito, a dependência química e o conflito doméstico são importantes fatores na construção do problema.
Primeiramente, deve-se reconhecer que a maior motivação para pessoas que foram morar na rua, segundo dados da revista Istoé, é a dependência química. Tal fato revela a ineficiência estatal no combate ao uso de drogas e no suporte ao dependente, que é deixado à própria sorte. Tal conjuntura vai de encontro ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual o Estado é construído para defender seus integrantes dos males de um estado de natureza sem regras.
Além disso, 30% dos moradores de rua identifica como motivo para sua situação os problemas domésticos. Assim, torna-se evidente o dano que a disfuncionalidade familiar pode acarretar. O cenário corrobora a teoria proposta por Zygmunt Bauman em “Modernidade Líquida”, conforme a qual as relações interpessoais tornam-se progressivamente mais individualizadas, inclusive no âmbito da família. Sob esse prisma, pessoas são objetificadas e podem ter que deixar seus lares se não mostrarem mais utilidade.
Dado o exposto, pode-se aferir a necessidade de intervenção sobre o assunto. Para tratar dependentes químicos, pode ser criado pelo Ministério da Saúde, por meio de verbas federais, um programa de abrigos com apoio psicológico e médico. Além disso, em parceria com os governos estaduais, devem ser oferecidos cursos profissionalizantes aos abrigados e a pessoas abandonadas por suas famílias, objetivando possibilitar novas oportunidades de futuro. Assim, é possível ajudar milhares de brasileiros a encontrarem sua felicidade.