Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 16/10/2019

No seriado mexicano “Chaves”, é retratada a vida de um jovem sem lar que sobrevive em uma vila graças à contribuição dos moradores. Assim como na ficção, no Brasil hodierno, é uma realidade nefasta a existência de moradores de rua. Nesse sentido, cabe analisar como a negligência do Estado e da sociedade contribuem para a perpetuação do desabrigo, o que fomenta a violência e o  consumo de drogas, a fim de reverter tal situação nefasta.

Em um primeiro plano, é possível perceber que a omissão do governo e da sociedade agrava a situação dos moradores de rua. É dever do estado, segundo o artigo 6º da Constituição Cidadã, garantir moradia para os cidadãos. Entretanto, tal direito é vilipendiado e o que se observa é a insuficiência da construção de casas populares e abrigos públicos para atender à demanda. Nesse contexto, a negligência da sociedade à situação dos “sem-teto” contribui para a perpetuação dessa perversidade. De acordo com o sociólogo Z. Bauman, “Somos responsáveis pelo outro, pela razão de que o que fazemos tem impacto para todos.”. Dessa maneira, com cobranças pífias para o exercício efetivo do artigo 6º, os brasileiros em situação de rua vivem em condições indignas - sem medidas higiênicas, suscetíveis a doenças, sem alimentos e água limpa e expostos a condições climáticas adversas.

Consequentemente, a falta de moradias fomenta o crescimento da violência e do uso de drogas. Sem condições dignas de vida e sem recursos financeiros, uma parcela dos desalojados aceita cometer crimes por dinheiro, e outra busca a fuga da sua péssima realidade por meio das drogas. Isso fica evidenciado pela série “Breaking Bad”, em que o personagem J. Pink, um jovem expulso de casa e sem dinheiro para o aluguel, começa a traficar drogas para conseguir uma nova casa. Por outro lado, o processo de abstração com substâncias ilícitas cria dependentes químicos, um problema que colabora com a superlotação do Sistema Único de Saúde, visto que esse grupo fica exposto a doenças decorrentes do vício. Dessarte, as consequências da lacuna de lares afetam toda a comunidade.

Torna-se evidente, portanto, que a questão dos moradores de rua do Brasil precisa de intervenção. Para isso, cabe ao Ministério da Cidades aumentar o número de moradias populares, como as do programa “Minha casa, minha vida”. Isso pode ser feito, com seriedade, por meio do planejamento urbano, ou seja,  utilizar áreas vazias para construir apartamentos que contenham toda a infraestrutura necessária ao seu redor - transporte público, saneamento básico e escolas -, uma vez que é um direito da população ter esses serviços de qualidade por perto. Essa medida tem o intuito de atenuar a situação desumana enfrentada pelos desabrigados e suas consequências para a sociedade. Com efeito, o que mostrou “Chaves” ficará restrito à ficção.