Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 17/10/2019

Segundo as perspectivas filosóficas de Thomas Hobbes, impressões sensoriais não bastam para construir e preservar uma vida. Sob tal ótica, é provável compreender que a vida humana não deve ser pautada em ínfimos vestígios. Contudo, de forma semelhante ao pensamento de Hobbes, no que se refere a questão dos moradores de rua no século XXI, é evidente que esforços sejam postos em prática para minimizar esse intenso processo de exclusão na sociedade brasileira. Assim, cabe analisar tal cenário, intimamente ligada aos aspectos sociais e econômicos.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a proteção à moradia é considerada um direito fundamental para o indivíduo. Entretanto, o país atual ainda age de forma incompatível com os direitos humanos estabelecidos por lei, de modo que o grande número de pessoas que moram nas ruas é um grave problema social, que é intensificado devido as diferentes realidade existentes, que possuem em geral a condição de pobreza absoluta e a falta de habitação regular cedida pelo Estado. Assim, de forma análoga à obra O Grito, de Edvard Much, que expõe o medo e a angustia, o ser em situação de rua reflete os mesmos sentimentos.

Ademais, é visível que a crítica questão econômica do país gera entraves para o acesso a moradias. Isso, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento do desemprego atinge 13,7 milhões de brasileiros, assim, esse colapso econômico amplia o número de pessoas em situação de rua. Nesse sentido, a falta de trabalho e dinheiro é apenas um dos diversos impasses que levam pessoas a viverem nas ruas, como, a exemplo, também, da dependência química, problemas familiares e perdas das moradias, que ampliam, ainda mais, essa preocupante questão social que afeta, arduamente, a vida dos seres. Desse modo, é profícuo que pontos acerca dos problemas que levam pessoas a morarem nas ruas, sejam debatidas e tratadas com mais empatia.

Infere-se, portanto, que o Poder Público de cada Estado, coloque em prática mais políticas públicas, a partir da disponibilidade de atendimentos a assistentes sociais, bem como a criação de mais abrigos e moradias, para que os moradores de rua sintam-se acolhidos e respeitados, a fim de reverter esse delicado cenário ainda latente no país. Ademais, o Governo deve disponibilizar vagas de empregos para a população de rua, com a finalidade de minimizar as desigualdades sociais e reintegrá-los na sociedade. Então, mais do que impressões sensoriais debatidas por Thomas Hobbes, o Brasil passará a ter um corpo social mais justo e pragmático, na construção e preservação da vida de todos os cidadãos.