Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 25/10/2019

Na clássica obra de literatura infanto-juvenil “O Pequeno Príncipe”, o francês Antoine de Saint-Exupéry narra como um -literalmente- perdido adulto enxerga o mundo, fazendo-o notar que “o essencial é invisível aos olhos”. Transpassado o contexto ficcional, os olhos do Brasil hodierno, torna-se invisível a questão dos moradores de rua. Apesar de ser um direito, esse cenário é constante na contemporaneidade e esses são colocados à margem da sociedade.

Primeiramente, cabe abordar que no poema “O bicho” de Manuel Bandeira, poeta brasileiro, publicado em 1948, encontra-se uma  uma realidade comum que acomete milhares de Brasileiros, e marca a paisagem das cidades, a questão social dos moradores de rua. “Vi ontem um bicho na imundice do pátio, catando comida entre os detritos… o bicho meu Deus, era um homem.”, de acordo com o Art. 6º da Constituição da República Federativa do Brasil, a moradia é um direito social que desde o século XX, como retrata o poema, é negado à esses indivíduos. Ao relacionar a necessidade de uma moradia com a aquisição de uma vida digna, pelo princípio da dignidade da pessoa humana, entende-se o direito à moradia como um direito social – que vai além do individual e, por isso, é relevante para toda a sociedade.

Ademais, o preconceito faz com que esses sejam vistos como uma massa marginalizada subjugados como incapazes. Diante de tantos fatores complexos, muitas pessoas em situação de rua identificam o emprego como o elemento mais importante para se reerguer, no entanto, deparam-se com muitas portas fechadas na busca de emprego no mercado de trabalho. Consoante ao pensamento de Bauman, sociólogo polonês, essas pessoas são vistas como uma “sociedade dos descartáveis”, os não-produtivos. A partir disso, ao invés de proporcionar oportunidades de emprego e reinserção, o coletivo apenas discrimina e segrega esses seres humanos.

Destarte, é indiscutível que a situação dos moradores de rua é um problema e uma realidade brasileira. Diante disso, o Governo Federal, com a verba dos royalties do petróleo, deve ampliar as redes de abrigos para dar assistência e inserir mecanismos educativos, como ensino básico e técnico, esportes, para que esses possam ser reintegrados à sociedade. Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos juntamente com a mídia, devem respectivamente financiar, produzir e distribuir, nas redes sociais e televisivas, campanhas de conscientização sobre a importância da vida dessas pessoas, expondo sua realidade desumanizada, com o intuito de provocar uma reflexão na população e combater o preconceito. Dessa maneira, o essencial tornar-se-á visível aos olhos.