Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 20/10/2019

Estrutura desintegrada

O pensamento de Rousseau: “O homem nasce livre e por toda a parte encontra-se acorrentado”, propõe que no estado primitivo o indivíduo vivera em harmonia com seus semelhantes, e o reflexo das incoerências que se instauram o corrompe. Da acelerada e conurbada urbanização, até as precárias condições sanitárias das cidades, os moradores de rua encaram um cenário inóspito e de difícil convívio social - uma mazela, indelevelmente, desumana!

A priori, é imperioso destacar que o crescimento das cidades, no Brasil, floresce associadamente com a industrialização, de modo que atraíram os trabalhadores para os centros das cidades. Nesse sentido, exsurge os obstáculos dos conglomerados urbanos, já que com a falta de moradias adequadas cresce o número de pessoas que vivem nas ruas, resultado da ocupação privada do solo central e que não dispõe de condições financeiras para conquistar espaços coerentes para moradia. Dessa forma, a situação de passagem facilmente transforma-se de temporária para permanente, visto que a sociedade considera essas pessoas como seres invisíveis e marginalizados.

Outrossim, a implantação de medidas que visem melhorar a vida desse grupo, esbarra na falta e percepção de totalidade, à medida que vários motivos simbolizam a escolha da rua como habitação. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), existem pouco mais de 100 mil pessoas vivendo por entre marquises e pontes, e que experimentam episódios deficitários de saúde e educação, de maneira que resulta em menores oportunidades de conseguir trabalho com remuneração adequada. Por conseguinte, este recorte, deve ser extremamente combatido por um Estado que pretende ser eficaz em proporcionar condições saudáveis de vida a seus cidadãos.

Infere-se, pois, que o malquisto morador de rua conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, as Prefeituras Municipais juntamente com o Serviço Social, devem realizar mutirões nas áreas onde há maior concentração dessas pessoas, bem como registrá-las e oferecer moradias públicas comunitárias, a fim de que elas tenham um endereço digno para residir e possam conseguir emprego - uma vez que sem logradouro é dificultoso ingressar no mercado de trabalho. Com isso, será fácil contornar essa problemática discrepante aos preceitos constitucionais e morais dos menos favorecidos, integrado a uma estrutura moral consolidada.