Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 22/10/2019

Na música “O resto do mundo”, do cantor Gabriel o Pensador, retrata minuciosamente como é viver a margem da sociedade e o quão permissivo isso é. Nesse viés, percebe-se, que a obra embora ficcional, assemelha-se ao atual contexto brasileiro, uma vez que, há uma imensa desigualdade social, algo bem marcante, principalmente no grandes centros urbanos do país, no qual a situação de vulnerabilidade de determinados indivíduos em relação aos demais grupos da sociedade é algo assustador.Assim, alguns fatores contribuem diretamente com essa crescente realidade, bem como a ineficiência do Governo Federal, atrelado a invisibilidade social que acomete esses indivíduos. Logo, é importante que o corpo social entenda e  discuta a respeito dessa problemática, no intuito de combatê-la.

Primeiramente, cabe analisar o papel do Estado no que diz respeito a assistência dessa população vulnerável. Assim, o Governo Federal em teoria é o responsável por garantir moradia, alimentação, segurança, a essas pessoas em situação de rua, no entanto, percebe-se que esses serviços básicos não são de fato concretizados, o que por vezes, nota-se, é uma negligência na qual as verbas públicas não são aplicadas, como prevê a Constituição Cidadã, de 1989. Como ilustração desse panorama, de acordo com o Ipea, no Brasil, somente no ano de  2018 foram registrados 400 mil pessoas em condições subumanas. Desse modo, evidencia-se a necessidade do comprometimento dos órgãos federais com a sua nação, a fim de mudar de fato esse panorama brasileiro.

Em segundo plano, destaca-se também a invisibilidade social que é um dos fatores que impulsionam os efeitos dessa exclusão. Nesse sentido, sob a perspectiva do escritor português, José Saramago, em sua obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, é feita uma analise na qual a impaciência e insensibilidade diante de alguém com problemas considerados urgentes, foi um primeiro apontamento do autor dessa “cegueira” ocorrer em função do distanciamento entre os indivíduos na contemporaneidade. Analogamente, nota-se, que essas pessoas mais vulneráveis não são reconhecidas como cidadãs, e gera preconceito que pode se manifestar por diversas formas de violência.

Fica evidente, portanto, a mudança desse cenário, de modo efetivo para resolver esses entraves.        Diante disso, o Estado brasileiro com apoio ao Ministério dos Direitos Humanos, por intermédio de políticas públicas analisadas com prioridade, deve ampliar as campanhas midiáticas, que irão abordar os direitos que a população em situação de rua tem, além de incentivar o trabalho voluntário e assistência aos referidos, de modo que abranja todo o território nacional. Outrossim, as ONG’s de atendimento, promova assistência política, jurídica e profissional, com o intuito de inseri-los no mercado de trabalho. Nesse viés, talvez, a Constituição Federal seja exercida como prevê.