Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 21/10/2019
O autor da segunda geração modernista, Jorge Amado, em seu romance regionalista “Capitães de Areia”,retrata a vida de menores nas rua e sua luta dia após dia para sobreviverem.Fora das obras literárias, a realidade apresentada no romance se assemelha ao tecido social brasileiro, visto que ainda no cenário hodierno, decorre a dificuldade na inclusão de moradores de rua no âmbito social, o que suscita a permanência das desigualdades sociais.Nesta conjuntura, diante de uma realidade instável e temerária, é indiscutível analisar a inobservância governamental e a exclusão social.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a carência na instituição de medidas para reintegrar os sem tetos na sociedade deriva da baixa observância dos setores governamentais, no que tange a criação de mecanismos que coíbam esta mazela social. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população.Contudo, isto não ocorre no Brasil,uma vez que poder público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos mínimos, restringindo a estes indivíduos o acesso a moradia, programas para inclusão no mercado de trabalho e maior qualidade de vida.Nesse contexto, é lamentável a condição de vulnerabilidade a qual são submetidos os moradores de rua revelando a necessidade na reformulação dessa postura estatal.
De mesmo modo, é imprescindível pontuar que a exclusão social atua como agente ativo na perpetuação da problemática.Segundo as premissas do filósofo suíço Rousseau, a propriedade privada introduziu a desigualdade entre homens e os diferenciou entre pobres e ricos.Nesse sentido, em virtude desta desigualdade econômica, decorre a formação de ideais excludentes, o que apenas cria uma bolha social, que além de retardar a inclusão de moradores de rua na âmbito social, promove a instituição do preconceito sobre esta camada reforçando a visão enraizada da desigualdade.Exemplo disso é o senso realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, que demonstrou alta de 10% no número de desabrigados nas ruas em São Paulo.Logo, mudanças nos valores societários são fundamentais para transpor as barreiras e alcançar uma sociedade mais equitativa.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Dessa forma, é fundamental que o Tribunal de Contas da União, direcione capital que por intermédio do governo federal será revertido na criação de políticas e programas que promovam a inclusão destes cidadães no mercado de trabalho, por meio do atendimento aos indivíduos inseridos no programa, identificando em quais áreas são capacitados e os reintegrando à cidadania, com a fito de assegurar os direitos mínimos amenizando ideais excludentes.Desse modo, atenuará o impacto nocivo da segregação dos desabrigados nas ruas, e a coletividade libertará do ideário modernista.