Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 21/10/2019

O autor modernista, Jorge Amado, em 1937, publicou a obra “Capitães da Areia”, a qual aborda a situação de um grupo de jovens em situação de rua e a luta diária para sobreviver. Infelizmente, esse cenário faz parte da realidade atual brasileira. Tal fato constitui um problema social e político, visto que a sociedade possui preconceito em relação a essa minoria e há uma negligência por parte do Estado.

Inicialmente, vale ressaltar que a população estereotipa os moradores de rua, o que dificulta a reinserção desse grupo. nesse contexto, além da visão de que são preguiçosos e vagabundos, ainda há pessoas que os ignoram e os consideram invisíveis. Isso vai ao encontro da teoria da “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, segundo a qual as pessoas tendem a tratar com naturalidade situações que ocorrem com frequência.

Concomitante a essa dimensão social, há a ineficiência de políticas públicas por parte da União. Esses indivíduos marginalizados não possuem acesso aos direitos básicos, como alimentação, moradia, saúde e educação, os quais são deveres do Estado. Essa realidade contraria a defesa do filósofo grego, Aristóteles, pois, para ele, a política deve ser usada a fim de alcançar o equilíbrio da sociedade por meio da justiça.

Torna-se evidente, portanto, que as pessoas em situação de rua é um problema da sociedade e do Estado brasileiro. Por isso, a mídia deve, por meio de reportagens, mostrar o dia a dia desses indivíduos, para que a população se sensibilize e elimine o preconceito. Ademais, o Estado deve, por meio de investimentos em assistência, prover a essa minoria os direitos básicos, focando, principalmente, na construção de habitações ou utilização de imóveis inativos e na geração de empregos, a fim de retirar essas pessoas das ruas e propor uma vida melhor.