Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 28/10/2019

“Guerra improvável, paz impossível”, Raymond Aron disse e resumiu a Guerra Fria. Porém, em um contexto sócio-histórico, onde a abolição do regime da escravatura iniciou uma política higienista e hoje o prefeito de uma das maiores cidades do país com o apoio da população tenha feito a manutenção de velhas práticas, é claro que o sociólogo francês resumiu também a questão dos moradores de rua. Isso, no entanto, faz a sociedade refletir sobre a invisibilidade e marginalização daqueles que fazem da rua seu lar.

Com base em pesquisas do Ministério dos Direitos Humanos, a maioria dos motivos são o uso de entorpecentes, perda de emprego e conflitos familiares, sendo esses geralmente alinhados uns aos outros. Assim, a problemática dos moradores de rua mostra complexidade ao desmentir o senso comum que somente o vicio as drogas leva a tal situação, essa envolvendo também o poder legislador criminalizando quem merece sua ajuda.

Nessa perspectiva, quando o legislativo é apoiado pela presente sociedade por suas práticas de marginalização desse grupo social, tal está colaborando para a manutenção de uma política imperial numa sociedade republicana. Por conseguinte, essas pessoas não estão sendo retiradas do ciclo de violência e invisibilidade dos arredores urbanos, mas colocadas numa situação de maior vulnerabilidade econômica e social maior.

Dessa forma, Raymond Aron não errou em dizer que a paz é impossível, já que o Estado aliado da sociedade colaboram para um sistema de apagamento de determinados grupos sociais, excluindo-os e invisibilizando-os numa sociedade republicana completamente diferente da que iniciou as práticas higienistas. É preciso, portanto, que a mídia de massa, como fomentadora de opinião e informação, atue como mediadora entre a sociedade e o Estado para que a informação a cerca do grupo marginalizado chegue a quem possa os tirar do que os oprime. Ademais, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, órgão responsável, mostrar-se mais atuante em garantir direitos civis básicos a essa parte da sociedade marginalizada, punindo legisladores que se acham no poder de reviver práticas higienistas. A partir disso, a paz deixará de ser impossível.