Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 28/10/2019

Jorge Amado, escritor da segunda geração do modernismo, escreveu o livro Capitães da Areia, que conta a história de crianças e adolescentes que moram nas ruas de Salvador. Hodiernamente, isto é uma realidade, não ocorrendo só Bahia, mas em todo o Brasil, que diversas pessoas estão morando nas ruas, não só menores de idade como é retratado no livro, o que é uma questão social que deve ser mais valorizada, pois já é uma realidade brasileira. Este fato ocorre principalmente pela ineficiência das ações governamentais e pelos maus hábitos da população, que se acostumou com essa problemática.

Em primeiro lugar, a falta de aplicação dos direitos assegurados pela Constituição é um dos principais problemas que ocasionam esse fato. O filósofo Aristóteles, considerado o pai da lógica, em sua obra Ética à Nicômaco, defendeu que a política deveria ser usada, por intermédio da aplicação da justiça, para que o equilíbrio seja alcançado. Desse modo, faz-se uma analogia com a política brasileira, que rompe com os sua Constituição, que diz que todos tem direito à moradia e alimentação, não fornecendo esses aos moradores de rua. Assim, vê-se que a atuação do Estado é uma coisa que deve ser praticada para que tal vicissitude seja combatida.

Ademais, a alienação populacional é um grande fator que contribui para que isso ainda ocorra no país. O sociólogo Karl Marx, fundador da doutrina comunista moderna, defendeu que há uma alienação do indivíduo acerca dos outros homens e que um sujeito alienado não consegue perceber a possibilidade de uma mudança. A partir dessa linha de pensamento, pode-se concluir que um hábito sobre os moradores de rua foi gerado, tornando-se cotidiano. Dessa maneira, é gerado um desprezo aos moradores por causa desse senso comum, que é transmitido entre a população, por isso um agravamento do problema é causado.

Portanto, para que a incompetência governamental e alienação populacional possam diminuir, urge que medidas sejam tomadas. Destarte, o Governo – cuja função é organizar e regrar uma população em um determinado território -, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, deve criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por intermédio de ações que possam garantir os direitos básicos – os quais já estão garantidos na Constituição Federal de 1988 -, como moradia, alimentação, saúde, higiene e proteção. Com a aplicação dessa medida, será possível minimizar gradativamente esse fato social no Brasil e restaurar o equilíbrio proposto pelo filósofo Aristóteles.