Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 22/10/2019

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é elemento da “modernidade líquida” vivida no século XX. O quadro atual dos moradores de ruas no Brasil no que tange à qualidade de vida e aos direitos universais, mostra o quanto a cultura do materialismo, bem como a da acumulação de capital a qualquer custo, corroboram para uma invisibilidade daqueles que dentro  da sua condição social estão sob negligência de uma realidade capitalista que não os admitem.

Entre as linhas da Declaração Universal do Homem confere-se que todos têm o direto a moradia. O dito parece contraditório quando comparado com a situação real, onde se encontram só em São Paulo 15.905 sem-teto. A especulação imobiliária e a exigida mão de obra cada vez com maior qualificação para o mercado de trabalho impedem que pessoas com menor ou nenhum prestígio social - baixa renda e muitas vezes analfabetos- consigam sequer um teto para se proteger das condições ambientais e da insegurança urbana.

É certo que uma parcela dos desabrigados seguem nessas condições devido aos vícios em entorpecentes químicos e ao desequilíbrio emocional gerados por problemas físicos/mentais ou familiares. No entanto, barreiras que impeçam esse cenário, como o de assistência social, hospitalar e de educação, continuam frágeis e precárias na vida desses indivíduos. Exemplo disso são muitas escolas públicas, em que a entrada de drogas é de extrema facilidade pela ausência de segurança local.

Em segundo plano, têm-se as famílias de classes baixas que majoritariamente são vítimas da irresponsabilidade do governo no que se refere ao abastecimento geral e satisfatório de agentes públicos nos setores sociais que cuidam da saúde humana e da qualidade de vida dos mesmos e de mecanismos que ofereçam ao menos o mínimo de qualidade de vida.

O combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter e modificar o modo de vida dessas pessoas, deve tornar-se efetivo, uma vez que, as dificuldades que os moradores enfrentam se torna diariamente piores. Indivíduos em idade ativa devem ter em sua comunidade cursos gratuitos que aumentem seu conhecimento de mundo e os possibilitem entrar no mercado servil. Palestras devem ser realizadas em escolas com o objetivo de alertar jovens sobre os riscos ao usar drogas. Sendo assim, desde que haja parceria entre governo, comunidade e família, será possível amenizar o efeito desse problema e concretizar fielmente os direitos e os deveres cabidos a cada segmento civil. Só assim será construído uma sociedade mais fiel aos princípios da constituição.