Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 29/10/2019
Na obra “A utopia”, do filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão social dos moradores de rua apresenta barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da mentalidade cívica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Precipuamente, é fulcral pontuar que a invisibilidade dos moradores de rua deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir a propriedade e o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades na criação de políticas públicas que visem o direito à moradia o índice de pessoas que vivem nas ruas cresce a cada ano, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) há no país mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente. Ademais, é imperativo ressaltar que a mentalidade cívica atua como promotor do problema. De acordo com o autor Howalde Becker, no livro “outsider” indivíduos com características fora do padrão de uma determinada sociedade são excluídos e deixados em uma periferia social. Partindo desse pressuposto, a visão apática da sociedade acerca dos moradores de rua é manifestada através da violência urbana e da falta de oportunidade. Tudo isso retarda a resolução desse empecilho, já que o preconceito interiorizado aos moradores de rua contribui para a perpetuação desse quadro deletério, pois sem oportunidades é impossível a reinserção na dessa minoria na sociedade. Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o número de pessoas que vivem nas ruas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Governo Federal, será revestido em reformas de imóveis públicos abandonados, a fim da distribuição de moradias dignas a essa população. Paralelamente, cabe ao Ministério de Desenvolvimento Social criar campanhas publicitárias nas redes televisivas, acerca da importância de reinserção dessa minoria no mercado de trabalho para a busca de melhores condições de vida. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da falta de moradia na sociedade brasileira e a coletividade alcançará a Utopia de More.