Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 27/10/2019

Na antiguidade, o filósofo grego Platão afirmava que o importante não é viver, mas sim viver uma vida qualitativa. Essa vida de qualidade proposta pelo pensador é constantemente ameaçada na situação dos moradores de rua, que são caracterizados pela falta de moradia e pela condição de extrema pobreza em que se encontram, consequências  da perpetuação da baixa escolaridade e da presença do uso de drogas por grande parte dessa parcela populacional.

Em primeiro lugar, ausência do conhecimento como agente contribuinte para esta situação se mostra presente no 58,7% dos moradores de rua que possuem apenas o ensino fundamental completo ou incompleto como nível de educação, segundo dados revista Isto É de 2006. A baixa escolaridade os impede de obter empregos que  requerem a conclusão do ensino básico, levando-os a aceitar empregos informais sob péssimas condições em que o salário é baixo e não consegue suprir as suas necessidades básicas. Não só, é possível verificar ainda uma hereditariedade do conhecimento precário, pois os filhos desses indivíduos dificilmente conseguirão superar a barreira excludente que os cerca.

Ademais, é constatada também como principal principal causa dessa problemática supracitada a persistência de vícios em drogas como o álcool, crack e cocaína. Cerca de 36% dos entrevistados pela revista na pesquisa confirmam as drogas como causadores da ocupação de ruas, pois os indivíduos passam a adquirir posturas agressivas e danosas, resultando na perda de bens materiais e também do apoio de familiares, que não sabem como agir nessas ocasiões. A “Crackolândia” é o principal exemplo nacional de um local do consumo explícito de drogas, e também possui um grande contingente de viciados que se encontram desabrigados em decorrência de seus vícios.

Portanto, urge que a sociedade brasileira, junto a órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Social e as unidades do CRAS em instância municipal, trabalho para oferecer oportunidades para esses indivíduos fragilizados por meio da oferta de cursos profissionalizantes gratuitos em parceria com redes educacionais, como o SENAI, que ajudarão na formação educacional e na aprendizagem de novas profissões, assim como tratamentos especiais em clínicas de reabilitação para os que possuem vícios. Também, é importante o fornecimento de doações para as instituições de caridade como igrejas e albergues, a fim de combater gradualmente esse problema. Assim, o Brasil pode oferecer aos seus cidadãos o bem-estar e o respeito aos direitos humanos previstos na constituição de 1988.