Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 24/10/2019

O submundo dos invisíveis

Segregação. Preconceito. Indiferença. São retratos de uma parte da sociedade que, quase sempre, fica esquecida. A Constituição Federal Brasileira (1988), no artigo sexto, garante que são direitos sociais a moradia e a assistência aos desamparados, mas, paradoxalmente, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Brasil possui mais de cem mil moradores de rua de diferentes realidades, os quais, muitas vezes, se tornam “invisíveis” para tantos. Ainda que hajam legislações que assegurem seus direitos e proteção, o cenário que encontramos é caótico, onde há negligência tanto da sociedade quanto do Estado.

O fortalecimento e amadurecimento do capitalismo trouxe muitas vantagens em diversos setores, porém acarretou, dentre as consequências, na supervalorização da terra e em uma colossal desigualdade social, levando a exclusão social de alguns grupos. Quando se remete à moradores de rua, há um preconceito de imediato, até mesmo pelo medo que as pessoas são imergidas dentro de um contexto tão violento em que vive, e assim vão se inserindo rótulos sobre as vidas daquelas pessoas, tais como drogado, agressivo, fedorento, entre outros. E eles vão se tornando invisíveis perante uma sociedade que vai se tornando indiferente, desrespeitosa e sem empatia à uma questão que não é apenas dever governamental. Há instituições religiosas que, semanalmente, fazem trabalhos voltados à assistência dessas pessoas que vivem nas ruas, não só oferecendo-lhes materiais, como roupas e comidas, mas também psicológicos.

Segundo o Direitos Humanos, no Artigo sexto, todo ser humano tem o direito, em todos os lugares, de ser reconhecido como pessoa. Mas é tão desumano quando vemos notícias em jornais e televisões, que “já passa dos vinte o número de moradores de rua mortos por causa do inverno frio”. E, de pesquisas em pesquisas, vemos o número de pessoas nas ruas aumentando, em São Paulo, de 2011 para 2012, houve um aumento de dez por cento. Muitos possuem até nível superior, contudo, por problemas diversos, como familiares por exemplo, optam por estar nas ruas.

Portanto, muito mais que descaso apenas Estatal, existe, atrelado, abandono por parte da sociedade. Assim, é necessário que a Secretaria Nacional de Assistência Social junto ao Estado devem criar meios de inserção do indivíduo na sociedade, projetando, até mesmo, casas de reabilitação para moradores de rua que promovam o estudo, atendimento psicológico, afim de que retornem de forma participativa à sociedade. Além disso, cabe ao cidadão uma maior  solidarização e respeito, pois é uma vida ali. Desta forma, faremos um dos muitos submundos se transformar no todo de novo, mundo.